terça-feira, 6 de abril de 2010

Memorial lança o livro "400 anos Padre Vieira Imperador da Língua Portuguesa", que reúne ensaios de 15 autores portugueses e brasileiros

A vida e a obra do Padre Antônio Vieira é apresentada no livro 400 anos Padre Vieira “Imperador da Língua Brasileira”, publicado pela Fundação Memorial da América Latina. A publicação reúne 15 ensaios de especialistas brasileiros e portugueses que participaram do “Colóquio Internacional 400 anos de Padre Antônio Vieira Imperador da Língua Portuguesa”, realizado pelo Memorial e pelo Centro de Estudos Fernando Pessoa, em maio de 2008, ano em que se comemorou o quarto centenário daquele que Fernando Pessoa chamou de “Imperador da Língua Brasileira”.

O livro 400 anos Padre Vieira “Imperador da Língua Brasileira” tem o lançamento no dia 16 de abril, no Consulado Geral de Portugal em São Paulo (rua Canadá, 324), com o participação do coordenador, o jornalista português radicado no Brasil João Alves das Neves (foto), e de vários dos autores. “O Colóquio Vieira foi o maior evento realizado em São Paulo relativo aos 400 anos do Padre Antônio Vieira. Tive notícias de um encontro na USP, mas sem a presença de palestrantes portugueses. O nosso repercutiu bastante na época e agora se desdobra neste livro de inestimável valor”, disse Alves das Neves, atual presidente do Centro de Estudos Fernando Pessoa. Alves das Neves, por sua vez, lançará em maio o estudo “Fernando Pessoa, Salazar e o Estado Novo”, em que analisa o pensamento político e o repúdio ao regime salazarista de Fernando Pessoa .


Entre os temas tratados pelo livro 400 anos Padre Vieira “Imperador da Língua Brasileira”, estão a relação “Vieira/Fernando Pessoa”, o “orador”, o “viajante”, o “saudosismo e o Quinto Império”, a “saudade”, o “defensor dos índios e dos escravos africanos”, o “espaço da mulher”, “o religioso e o político em busca de soluções para Portugal”, além é claro dos aspectos propriamente literários de seu estilo.



Nascido em Lisboa no dia 6 de Fevereiro de 1608, o Padre Antônio Vieira veio para o Brasil aos seis anos, onde estudou e missionou durante a maior parte da sua vida; escreveu cerca de 200 sermões e mais de 500 cartas, e sua obra foi tão significativa quanto sua vida.

Antônio Vieira destacou-se, não somente como literato, mas também no campo da política e economia. Era um homem à frente de seu tempo, defendeu o direito dos “cristãos-novos” (judeus que eram obrigados a adotar a religião católica para fugir da inquisição) de permanecer em terras portuguesas numa época marcada pela intolerância. Acreditava que Portugal só tinha a ganhar economicamente com os investimentos financeiros dessa classe perseguida. Era também defendia os índios e os africanos.

Fernando Pessoa refere-se a ele em seu livro “Mensagem” como o “Imperador da Língua Portuguesa”. Sua obra tem como característica marcante o jogo de conceitos/idéias por meio do uso do raciocínio lógico e da retórica aprimorada. É tido como modelo de prosador e orador até os dias de hoje. Dentre os sermões de destaque temos: “Sermão de Santo Antônio” e “Sermão pelo Bom Sucesso das armas de Portugal contra as de Holanda”. O Padre Antônio Vieira morreu aos 89 anos, "saciado de dias", no Estado da Bahia, no país que tanto amou, o Brasil.

Serviço
Lançamento do Livro
400 Anos Padre Vieira “Imperador da Língua Portuguesa”
Preço: R$ 50,00
Dia: 16 de abril, sexta-feira
Horário: 19h
Local: Consulado Geral de Portugal/SP
Endereço: Rua Canadá 324
O livro está à venda no Memorial da América Latina
pelo telefone (11) 3823 4618.

sábado, 27 de março de 2010

O LIVRO "400 ANOS - PADRE VIEIRA" SERÁ LANÇADO EM 16 DE ABRIL NO CONSULADO DE PORTUGAL EM SÃO PAULO


Com a presença da maioria dos 15 autores dos estudos será lançado o livro “400 ANOS – PADRE VIEIRA “Imperador da Língua Portuguesa”, a partir das 19 horas do próximo 16 de Abril, no Consulado Geral de Portugal em São Paulo (Rua Canadá nº. 324), O volume foi recém-lançado pela Fundação Memorial da América Latina (Colóquio realizado no “Memorial” de 22 a 24 de Abril de 2008).

Trata-se de uma cuidada edição do “Memorial” que, sob a direção do Dr. Fernando Leça, cada vez mais se destaca no panorama cultural de São Paulo, do Brasil e da América Latina. Com 280 páginas, é uma das mais amplas interpretações da vida e obra “vieirinas”, graças à colaboração dos professores João Alves das Neves (coordenador e participante do Colóquio de Vieira), assinalando-se igualmente os trabalhos dos ensaístas portugueses Teresa Rita Lopes, José Eduardo Franco, Teodoro Antunes Mendes e António Lopes Machado, assim como dos professores brasileiros Hernani Donato, Carlos Francisco Moura. Eduardo Navarro, Maria Beatriz do Rosário Alcântara. Rita de Cássia Alves, Paulo de Assunção, Raúl Francisco Moura, Vera Helena Pancote Amatti e Luís Antonio Lindo.

Outras informações podem ser obtidas na Fundação Memorial da América Latina, que patrocina o evento - ao lado do Consulado Geral de Portugal em São Paulo -, juntamente com outras entidades, sobre o lançamento da obra de homenagem ao grande escritor e pregador de Portugal e Brasil, que foi o Padre António Vieira.

terça-feira, 9 de março de 2010

A OBRA DE ANTÓNIO QUADROS

Conheci António Quadros muitos anos antes de o conhecer – os primeiros trabalhos que li dele foram talvez os artigos que publicava nos jornais, creio que no Diário Popular, o excelente vespertino ao qual dei assídua colaboração, assim como a O Primeiro de Janeiro. Confesso que já não sei qual terá sido o primeiro que li dele, mas os seus estudos que mais me aproximaram dele – embora à distância - foram aqueles que publicou sobre Fernando Pessoa., entre os quais saliento Vida, Personalidade e Génio do Poeta da Mensagem.

Li quase todos os seus livros e desde sempre me despertou a diversidade cultural da sua acção. Admito, porém, que me preocupavam os seus laços com certas figuras do regime político, que eu não aceitava. Mais tarde, verifiquei o meu engano em relação a António Quadros - nunca discutimos política e concluí que estávamos mais próximos um do outro do que eu pensara. Nem eu nem ele tínhamos pretensões políticas, ainda que tivéssemos opiniões próprias, apesar de me considerar sempre adverso das ditaduras.


A explicação é necessária num mundo cada vez mais fanatizado pelos partidos. Contudo, o que mais me aproximou de António Quadros foi o seu fervor pelos mil e um aspectos da Cultura Portuguesa. com relevo para as relações entre os 8 paises de idioma comum, perfeitamente caracterizados nos seus artigos e livros. É claro que um dos nossos temas ´preferidos foi a obra de Fernando Pessoa, mas os seus comentários sobre o diálogo cultural luso-brasileiro despertaram-me o maior interesse.

Em 1988, coordenamos na Academia Paulista de Letras, em São Paulo, o I Encontro de Estudos Pessoanos, do qual participaram destacados ensaístas brasileiros e portugueses, assinalando, entre outros, João Gaspar Simões, Teresa Rita Lopes e António Quadros, conforme ilustra a revista cultural Comunidades de Língua Portuguesa (agora, com 22 volumes publicados!). Foi no decurso desse diálogo lusíada que da admiração intelectual passamos à amizade.

Certa vez, fomos Lisboa e recebemos convite para uma reunião em casa da escritora Fernanda de Castro - e lá fomos encontrar um admirável grupo de escritores e artistas de vários sectores, incluindo alguns discordantes (como nós) do fascismo ainda em vigor. Recordo que um escritor que mais ou menos me conhecia estranhou a minha presença – e eu disse que viera sem preconceito, por se tratar de um encontro de artistas e intelectuais...certamente nas condições em que ele comparecera; No fundo, a reunião foi para conversar sobre artes e letras.

Mais tarde, ainda escutaria a voz de D. Fernanda de Castro quando, por telefone, lhe pedi para dizer algo sobre a sua presença em São Paulo, em 1922, meses após a Semana de Arte Moderna. Não tive resposta ao meu pedido, mas a capa de Ao fim da Memória (II volume) traz um retrato da grande pintora do modernismo brasileiro Tarsila do Amaral – cuja cópia chegou às mãos de António Quadros por meu intermédio – em 1962 gravei um depoimento da artista plástica e foi-me mostrado esse retrato (estava à venda por 70 mil cruzeiros!), que veio a ser comprado pelo Governo do Estado de São Paulo e que fui rever na residência estadual de veraneio paulista de Campos do Jordão – pedi uma fotografia que enviei ao amigo Quadros. (Há mais um retrato Fernanda de Castro, pintado por Anita Malfatti – a outra musa do modernismo no Brasil) e tenho o projecto de consagrar às duas pintoras um comentário, pois trata-se do testemunho da ligação de Fernanda de Castro e António Ferro (em 1922) com os “futuristas” brasileiros.

Voltando, porém, a António Quadros, observa-se que na sua obra são constantes as referências, conforme testemunham os livros Poesia e Filosofia do Mito Sebastianista (com uma oportuna digressão pelo Sebastianismo Brasileiro), O Projecto Áureo ou o Império do Espírito Santo; Memória das Origens, Saudade do Futuro; Portugal, Razão e Mistério; A Idéia de Portugal na Literatura Portuguesa dos Últimos 100 Anos, O Romance Brasileiro Actual e, sobretudo, as aproximações sugeridas em Fernando Pessoa/ vida. Personalidade e génio.

Alguns pesquisadores e professores brasileiros começaram já a freqüentar a Fundação António Quadros (cujo acervo reúne também vasta documentação das obras de Fernanda de Castro e António Ferro, pais de A. Q. - e tudo leva a esperar que a Instituição, fundada há cerca de um ano em Lisboa possa contribuir valiosamente para a aproximação das Culturas Portuguesa e Brasileira.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Peço a palavra: O INESPERADO FIM DO ANO DE 2009, QUE VIVI HOSPITAL DE SÃO JOAQUIM, EM SÃO PAULO

1- Talvez vez seja oportuno lembrar que, após um ataque de tosse, pode vir outro – e foi o que me aconteceu. Depois do primeiro, vieram muitos, embora ao chegar ao pronto-socorro do grande hospital da Beneficência Portuguesa esperasse achar depressa a mezinha salvadora e voltar para casa, antes que os meus filhos e netos fossem cumprir os programas que haviam feito para a noite de 31 de Dezembro. Mas não foi assim e eu e a minha Mulher ficámos num apartamento hospitalar confortável e em segurança.

Afinal, a broncopneumonia foi eficazmente combatida, mas não sem afetar outros órgãos, entre os quais o coração, a garganta e sei lá mais o quê e somente após 36 dias pude regressar a casa – espero que por bastante tempo! Sentia-me protegido, no hospital São Joaquim (a Beneficência Portuguesa de São Paulo inaugurou há meses as novas instalações do São José (que fica do outro lado da rua), moderníssimo (aliás, ambos estão super-equipadíssimos, dispondo de mais de 60 salas de cirurgia e de quase 2.000 leitos), contando com a assistência de cerca de 1.500 médicos e vários milhares de enfermeiro(a)s - no total, são perto de 5.000 os funcionários: admito que o conjunto hospitalar luso-paulista é não só o maior do Brasil mas também do vasto Mundo Português.

Aqueles que ainda não puderam avaliar o esforço da emigração portuguesa têm na Real e Benemérita Associação Portuguesa de Beneficência Portuguesa de Beneficência de São Paulo, fundada em 2 de Outubro de 1859, o exemplo da fé inquebrantável da Diáspora Lusíada, cujos representantes dispersos pelos 5 Continentes dignificam a Pátria distante e os países onde se radicam. Os emigrantes portugueses valem pelo que constroem!

2- Sim, quando temos dores, as noites custam a passar. E sem dores também custam: o silêncio não é apenas de ouro. A semi-sonolência levou-me com freqüência à aldéia natal e a toda a Beira-Serra, aos familiares e amigos, a Lisboa e a São Paulo (onde, afinal, eu me encontrava). E as pessoas vivas e mortas dialogavam comigo – lá em frente, eu via os soutos (que já desapareceram), as oliveiras e os meus amigos de outrora. E eu renascia! Sonho? Talvez, mas era o passado que se confundia com o presente, era o meu Pisão restaurado, após a grande luta que a gente da minha terra travou pelo progresso comunitário. E, entre os felizes minutos revividos, algumas mágoas e incompreensões dos que não me conhecem. Haja o que houver, valeu a pena!

3- Já estou outra vez na luta, mas, antes de concluir, quero agradecer aos amigos que me contactaram e desejaram “boa saúde”!