segunda-feira, 26 de julho de 2010

Queixas & Reclamações

A EDP NÃO ATENDE AOS PROTESTOS

Internauta identificado pede que divulguemos a seguinte queixa contra a EDP-Bandeirante de Energia AS, cujo escritório fica na Rua Bandeira Paulista nº 530 (Chácara Itaim), na cidade de São Paulo:

1 – Enviou uma carta à EDP, em 12 de Novembro de 2009, chamando a atenção para um enorme transformador que pinga óleo em cima do passeio público, localizado na Rua Caetano Velho nº 80, no bairro do Juqueí (Município de São Sebastião), mas não foi atendido e a EDP limitou-se a informar por telefone que não havia perigo nenhum... e que o melhor era cortar duas árvores semi-queimadas pelo óleo.

Depois disso, uma das árvores pegou fogo por 3 vezes e foi preciso chamar os bombeiros. O Internauta informou a EDP e voltou a pedir providências em nova carta (de 20-5-2010), porém a EDP até hoje não respondeu. Qual é a entidade oficial que deve multar a empresa transgressora? (Esclarecemos que o transformador foi instalado junto á porta da residência e a uns 2 metros de uma pequena piscina).

O nosso correspondente diz que responsabilizará a citada distribuidora de energia por quaisquer danos que possam surgir (incêndio ou vítimas). O leitor salienta as irregularidades da EDP – e pede a intervenção de quem de direito pela segurança da sua propriedade.

A PREFEITURA NÃO DEFENDE OS DIREITOS DOS PAULISTANOS

2 - Os moradores da Rua Manuel Guedes (no Itaim-Bibi, em São/ Paulo) queixam-se de que a Prefeitura só defende os interesses dos comercianites, ignorando os residentes e os pedestres – limita-se a proibir de um lado, como se não houvesse esquerda e direita. O engenheiro do setor, sr Jaime. não recebe queixas de ninguém e dá instruções absurdas às secretárias que atendem por telefone. Os únicos beneficiados são os donos de 5 restaurantes da quadra, cujos clientes estacionam de um só lado, onde ficam horas e horas, enquanto os idosos, enfermos e mães de crianças não têm nenhuns direitos. Até quando, sr. Prefeito?

***

Hoje resumimos apenas os protestos de 2 Internautas, mas nas próximas edições apresentaremos mais protestos, enquanto não forem atendidas as Queixas & Reclamações do Povo. (Os protestos serão revelados desde que o autor indique sua residência, telefone e RG – informações que ficarão em sigilo, em nossa Redação).

O REDATOR DE PLANTÃO

domingo, 25 de julho de 2010

Heranças: Cantos e cartas de luso-paulistanos

Por Pablo Pereira
Há anos, viajando no interior de Portugal, encontrei no ambiente da fria Serra da Estrela um cenário de pequenas propriedades, com gente do campo vivendo em sítios cercados por muros de pedras. A bucólica paisagem pedrenta da bela região da Beira, que tem um parque nacional, levou-me a pensar nas dificuldades encontradas pelos desbravadores portugueses que aqui, no quinhentista planalto paulista, sem a abundância das pedras, tiveram de recorrer ao barro e às varas para erguer muros e paredes - na hoje escassa, porém famosa, engenharia da taipa.

Aquela São Paulo aparece em diversas obras literárias, ensaios, pesquisas, pinturas ensinando como um punhado de aventureiros d"além-mar criou do nada as bases da metrópole.

O Brasil não era Brasil e Portugal já tinha fronteira consolidada. Camões escrevia os cantos de seus Os Lusíadas mais ou menos nos mesmos dias, aí pelos 1550/70, nos quais Anchieta, por aqui, redigia suas cartas - que podem ser vistas no Mosteiro de São Bento. Pouco restou desse lastro português. Mas a São Paulo moderna soube conservar parte da gente ibérica, presente hoje menos na arquitetura e mais nos hábitos e costumes.

Semana passada, "viajei" novamente a Coimbra e região, desta vez pelas páginas de 90 anos do Clube Português, de São Paulo, livro lançado na sexta-feira. E encontrei lá diversas pistas da herança portuguesa na cidade. O clube, que tem rico acervo, foi fundado em 14 de julho de 1920, em Perdizes, mas está na Liberdade. Conta histórias de ancestrais dos Ermírio de Moraes, e de outros luso-paulistanos, como o arquiteto Ricardo Severo (1869-1940). Nascido em Lisboa, criado no Porto, mas que morreu em São Paulo.

"Queremos restaurar o clube", diz o advogado José de Oliveira Magalhães vice-presidente da entidade, ele próprio "um brasileiro nascido em Portugal". Magalhães é de Cabeceiras de Basto, Braga.

Relíquias: Obras raras no acervo português.

Um rico acervo mora no Clube Português. São obras raras, relacionadas no livro organizado por João Alves das Neves. Há adornos, coleções de revistas e jornais, telas e livros centenários, como Vocabulário Portuguez e Latino, de Raphael Bluteau, publicado em Coimbra em 1712, e as Rimas várias de Luis de Camões, comentadas por Manuela de Farias Y Souza, edição de 1685, de Lisboa. Ou, ainda, o Poema Épico A Liberdade de Portugal defendida pelo Senhor Rey D. João I, da Real Officina da Universidade, em 1782 – Há lá a História de Inês de Castro, a rainha morta do d. Pedro I português - os túmulos estão lado a lado no belo Mosteiro de Albobaça.
Fonte: O Estado de São Paulo - Domingo, 25 de Julho de 2010

segunda-feira, 5 de julho de 2010

DEBATE SOBRE “AS IDÉIAS POLÍTICAS DE FERNANDO PESSOA”



O Clube Português vai promover no dia 20 de Julho (a partir das 19h30) uma mesa-redonda sobre “As idéias políticas de Fernando Pessoa”. A reunião será presidida pela escritora Teresa Rita Lopes, que dirige o Centro de Estudos do Modernismo em Portugal e é uma das principais pesquisadoras da obra do Poeta da “Mensagem”, sobre a qual já publicou mais de uma dezena de volumes em Portugal, no Brasil e em outros países.

Com esta sessão, o Clube Português de São Paulo, que está comemorando os 90 anos da sua fundação, reinicia as suas atividades culturais e reúne escritores e professores brasileiros e portugueses de alto nível, entre os quais se destacam Lygia Fagundes Teles e Carlos Felipe Moisés (da Universidade de São Paulo), além de muitos outros de São Paulo, de Lisboa e de outras cidades.


O programa da mesa-redonda incluirá:

1) Depoimentos e debates sobre o tema proposto;

2) Apresentação do livro “Fernando Pessoa, Salazar e o Estado Novo”, com 5 poemas e 17 textos em prosa do poeta dos heterônimos, reunidos e comentados pelo escritor João Alves das Neves, diretor cultural;

3) Projeção do vídeo “Fernando Pessoa – O Teatro do Ser”, comentado por Teresa Rita Lopes;


Na oportunidade, serão apresentadas na Biblioteca 4 mini-exposições: uma dezena de retratos pessoanos, edições especiais de Fernando Pessoa e alguns livros de Teresa Rita Lopes, assim como obras raras do Clube Português. E, no salão. um grupo de artistas plásticos brasileiros e portugueses apresentará uma mostra, selecionada pela pintora Maria dos Anjos, com óleos, desenhos, gravuras, etc., sobre o criador da heteronímia (os quadros estarão à venda e devem ser entregues até 15/7/2010).


A mesa redonda e as exposições serão realizadas na sede do Clube Português (Rua Turiassu, 59 - Perdizes), com entrada franca, mas recomenda-se que os interessados em participar façam a inscrição

prévia no local, ou pelos telefones 011-3666 6837 e 3666-3035 (e-mail: secretaria@clubeportuguessp.com.br e site: http://www.clubeportuguessp.com.br/).

Outras informações pelos citados telefones, e-mail e site, ou ainda: pelo Círculo Fernando Pessoa (e-mail: jneves@fesesp.org. br ou pelos blogs: http://www.joaoalvesdasneves.blogspot.com/ e www.revistalusofonia.wordpress.com).


A Diretoria Cultural do Clube Português agradece a divulgação.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

AS RAÍZES PORTUGUESAS NA ARTE COLONIAL BRASILEIRA

Recentemente, foi divulgada a inesperada controvérsia sobre um retábulo sacro pintado sobre madeira que está sendo disputado entre as igrejas matriz da cidade paulista de Mogi das Cruzes e a igreja de Nossa Senhora do Brasil, na capital paulistana. Não foram revelados informes sobre o valor artístico do retábulo, nem tão pouco o que representa a imagem, mas tão somente que a peça religiosa datará de 1749. Quer dizer, a pintura é do tempo em que o Brasil era uma colônia portuguesa.

Curiosamente fala-se com freqüência da arte colonial mas somente os especialistas costumam identificar, o riquíssimo acervo das cidades históricas de Minas Gerais que valoriza singularmente o barroco colonial, embora esse patrimônio assuma outras variações em Portugal e em alguns países ocidentais. Os estudos comuns da arte colonial pouco informam e a maioria dos dicionários quase nada esclarecem, mas o que tem de ser admitido é que a arte colonial, religiosa ou não, no caso do Brasil, revela com certeza o espírito lusíada, isto é, tem raízes lusitanas, apesar de realizada na terra brasileira.

O Atlas Cultural do Brasil do Conselho Federal da Cultura do Brasil, coordenado por mais de uma dezena de especialistas de diversas áreas certifica: “As Artes Plásticas no Brasil da era colonial se distinguem em dois períodos de autoria distinta. O primeiro se manifesta com maior relevância no século XVII, e seus principais autores são religiosos, monges e irmãos, europeus e nativos. Desses, mencionam-se com destaque os beneditinos Agostinho da Piedade, escultor, português de origem, que faleceu na Bahia em 1661; seu discípulo, Agostinho de Jesus, fluminense;o pintor Frei Ricardo do Pilar, originário de Colônia, Alemanha, falecido no Rio, em 1700, contemporâneo e companheiro de trabalho do toreuta entalhador Frei Domingos da Conceição da Silva. Entre os jesuítas, citam-se diversos que aqui viveram e produziram, sendo difícil a identificação de cada autoria no acervo restante. Por pesquisa histórica sabe-se da presença, entre Olinda e Bahia, dos pintores jesuítas quinhentistas Belchior Prado, Lagott, Baptista e Mendonça, porém sem obra remanescente. Na centúria seguinte através de um depoimento do Padre Antônio Vieira, sabe-se que Eusébio de Matos fora dotado de todas as artes, pintura inclusive, e que diversos outros jesuítas continuaram produzindo até o meados Setecentos, para o fausto da Igreja de Jesus (atual Catedral, de Salvador) entre eles, Domingos Rodrigues, Carlos Belleville e Francisco Coelho”.

“As tentativas de identificação de autoria tem falhado diante do enorme acervo jesuíta. Uma obra de notável destaque é o forro da primitiva sala da congregação e biblioteca do Colégio, executado na primeira metade dos Setecentos e único, em todo o País, de perspectiva aerial corrigida em relação a cada uma das figuras representadas e a cada elemento arquitetural figurado” (...)(1)

O esclarecimento é válido e poderemos estabelecer o paralelo recorrente das igrejas de Minas Gerais, entre outras do Brasil, mas principalmente pode relacionar-se com as informações do Atlas Cultural do Brasil e com os elementos reunidos nos milhares de verbetes do Dicionário de Artistas e Artífices dos Séculos XVIII e XIX em Minas Gerais (2), que documenta a conjugação de esforços de portugueses e lusos-descendentes (do Brasil) – talvez a maior parte de quantos trabalharam em terras mineiras não foram identificados, mas conseguimos referenciar cerca de uma centena de portugueses que trabalharam nos projetos e na construção dos inúmeros templos e de alguns palácios, espalhados pelo território mineiro, onde atuaram, no total, milhares de pedreiros, carpinteiros, ferreiros e toda a sorte de artífices, ao lado de centenas de artistas dos mais variados ramos, incluindo perto de uma boa centena de pintores, escultores e outros portugueses.

O patrimônio histórico e artístico de Minas Gerais é tão vasto e rico que ainda não foi inventariado no seu conjunto. E se há outros núcleos em diferentes lugares do Brasil eles se conjugam para testemunhar o engenho e arte dos que viveram na colônia que chegou a ser a sede do Reino Unido de Portugal e Brasil em condições que não sofrem comparações no mundo de ontem e de hoje.

O inventário da participação portuguesa no Brasil continua incompleto: faltam milhares de igrejas construídas no tempo da colônia, assim como certos museus, com destaque para o de Arte Sacra de São Paulo, que soube reunir uma grande série de peças religiosas de origem lusa, bem como várias instituições culturais dispersas pelo vasto território brasileiro.

(1) Os estudos reunidos no Atlas Cultural do Brasil foram editados em 1972 pelo Conselho Federal de Cultura (MEC/FENAME), então presidido pelo Prof. e Escritor Arthur Cézar Ferreira Reis.

(2) Publicado sob a direção de Judith Martins, com o apoio de numerosos colaboradores – o 1º. vol. tem 406 págs, e o 2º. conta 396 págs. (Publicações do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Rio de Janeiro, 1974).