quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Imprensa: PARA A HISTÓRIA DOS JORNAIS E REVISTAS ARGANILENSES

Depois do artigo sobre o Museu da Imprensa Regional e das Comunidades de Língua Portuguesa (23-12-2010), pretendemos acrescentar outros comentários em torno da História da Imprensa de Arganil, a partir do que escreveu o dr. A.J.de Vasconcelos, pioneiro do regionalismo da Beira Serra e um dos principais doutrinadores do Movimento.

No texto que publicou no Livro de Ouro do XXV aniversário da Casa da Comarca de Arganil, em 1954, está uma extensa lista da Imprensa de Arganil, Góis e Pampilhosa da Serra: o total é de 24 títulos, mas temos de considerar que nem todos são periódicos, pois vários deles foram números únicos, como são os casos do “Fraternidade” (1888), “Manhãs Dominicais” (1911), “O Regedor” (1914) e “A Voz dos Rouxinóis” (1946) – é claro que nos referimos tão somente aos arganilenses.

De outro lado, incluímos 2 suplementos infantis de “A Comarca”: “O Jornalito”, porque teve 6 edições, e “O Bebé“, dirigido pelo jornalista Luís Ferreira. No estudo que apresentou na revista “Arganilia” (2006) esclarece Regina Anacleto (da Universidade de Coimbra) que “O Jornalito” foi uma brincadeira do pai da “directora” (que era menor), mas “O Bebé” foi dirigido por um jornalista profissional” que trabalhava no jornal lisboeta “O Século” e que depois se tornou um dos mais assíduos redactores de “A Comarca” : enquanto o primeiro suplemento foi efêmero, “O Bebé” durou de 1-1-1930 até 23-12-1932. Não obstante, o mais duradouro dos suplementos infanto-juvenis da centenária “Comarca” foi “A Comarquinha”, que tivemos o prazer de coordenar no decurso de 16 anos, desde 3 de Janeiro de 1991 até 3 de Dezembro de 2008, completando 216 edições mensais.

Voltamos a falar do Livro de Ouro da Casa da Comarca de Arganil para recordar que se tratou de um projecto do Dr. Álvaro Marques Afonso, que o dirigiu após deixar a presidência da instituição. E um dos seus mais próximos colaboradores foi o Dr. Armando José de Vasconcelos Carvalho, o mais entusiasta regionalista que conhecemos de perto. Aliás, o volume deve ser considerado a mais genuína “Bíblia” do Regionalismo da Beira-Serra, pois reuniu alguns dos destacados cultores do Movimento que lutou pelo progresso material e cultural da Beira.

Antes de concluir o nosso segundo artigo acerca da Imprensa de Arganil (quem se habilita a fazer o historial do jornalismo goiense, pampilhosense e dos outros municípios beirões – pelo menos o dos que ficam no lado de cá da Serra de Estrela, é necessário relembrar a iniciativa da revista cultural “Arganilia” (tão injustamente atacada por quem nada fez pela nossa Terra). Referimo-nos, evidentemente, ao Colóquio da Imprensa, realizado em Lisboa, que contou não somente com a nossa colaboração, mas também com os depoimentos de Monsenhor A. Nunes Pereira, Regina Anacleto, José Caldeira, António Ramos de Almeida, Aníbal Pacheco, Lina Maria Alves Madeira, Teodoro Antunes Mendes, J. E. Mendes Ferrão, António Lopes Machado, Beatriz Alcântara, Cáceres Monteiro e Fernando Correia da Silva.

Entre as conclusões do I Colóquio da Imprensa da Beira Serra, ressalta-se o propósito de promover em 1991 o II Encontro, durante o qual poderiam ser ampliados os temas da imprensa e outros que abordassem igualmente as questões em aberto do Movimento Regionalista e os de História, Literatura, Folclore e Artesanato, Música, Arquitectura e Artes Plásticas, Economia, etc. Por não se ter concretizado o II Colóquio, quem assume - agora - o desafio?

Na realidade, nem sequer se esgotou o tema da Imprensa, actualizado com a restauração de “A Comarca de Arganil”. Quanto a nós, retomaremos o assunto, comentando as publicações periódicas:

  1. O Trovão da Beira (1871)
  2. Folha Verde (1890)
  3. A Comarca de Arganil (1901)
  4. O Franco Liberal (1905)
  5. Jornal de Arganil (1913)
  6. O Crítico (1914)
  7. Correio de Arganil (1915)
  8. O Celavisense (1916)
  9. O Celavisense (1920),
  10. O Crítico (1921)
  11. O Crítico (1922)
  12. Jornal de Arganil (1926)
  13. Acção ao Regional (1931)
  14. Arganilia (revista cultural da Beira Serra)

A “Revista Arganilia” NÃO irá acabar !!

E-mail enviado a Directora do “Jornal de Arganil” em resposta a noticia publicada em 04/01 sobre o suposto fim da “Revista Arganilia”.

Prezada Senhora Directora:

Venho pedir a divulgação do seguinte esclarecimento:

1. Respondi de boa fé à pergunta que me fez sobre a revista cultural “Arganilia”, pois não sabia que seriam feitos comentários por 2 notórios inimigos meus com os quais não mantenho nenhuns contactos;

2. Confirmo que declarei à Directora do “Jornal de Arganil” que devido à doença do Director e do Vice-diretor a revista estava suspensa temporariamente;

3. Espero que esta minha nota seja publicada, conforme determina a Lei da Imprensa, pois fui injuriado pelos meus dois inimigos.

Sem outro assunto de momento, subscrevemo-nos.

Atenciosamente.

João Alves das Neves

www.joaoalvesdasneves.blogspot.com ou www.revistalusofonia.wordpress.com

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Boas Festas !!

Legenda: Livro de obras de D. Duarte - Autor Anônimo

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

MUSEU DA IMPRENSA REGIONAL E DAS COMUNIDADES DE LÍNGUA PORTUGUESA


A História da Comunicação que leccionei durante cerca de 25 anos na Faculdade de Comunicação Social “Cásper Líbero” – pioneira do ensino jornalístico no Brasil - foi a que mais me interessou, entre outras cadeiras. Trata-se de um tema ligado de perto ao jornalismo profissional que exerci por mais de meio século: exige conhecimento e interpretação.

Das aulas práticas, passei à busca e selecção dos jornais e revistas que apresentei nas 16 mostras no Brasil (12), Portugal (2), (França, na UNESCO, em Paris) e em Macau. E, como pesquisador, publiquei 2 livros: História breve da Imprensa de Língua Portuguesa no Mundo (Lisboa, 1989) e A Imprensa de Macau e as Imprensas de Língua Portuguesa no Oriente (Macau, 1999). A informação sobra, mas nunca dirigi nenhum museu.

Entre os vários colóquios que coordenei, recordo o de 2000, em Lisboa, onde pudemos recolher as valiosas colaborações de Monsenhor A. Nunes Pereira (“Do Jornal ao Livro”), de Regina Anacleto (da Universidade de Coimbra - “Bosquejo histórico da Imprensa Arganilense”), de Aníbal Pacheco (“Imprensa Regional – um factor de Cultura”), de Lina Maria G. Alves Madeira (“Do “Jornal da Mulher” às mulheres do Jornal de Arganil”), de Teodoro Antunes Mendes (“A minha homenagem à A Comarca de Arganil”) de J. E. Mendes Ferrão (“A Comarca de Arganil, o mensageiro das “novas”e o fermento da saudade), António Lopes Machado (Nos meus 41 anos de redactor de A Comarca de Arganil em Lisboa), carta da escritora Beatriz Alcântara (de Fortaleza, Brasil), jornalista Cáceres Monteiro (A Imprensa Regional é mais lida do que a nacional”, Fernando Correia da Silva (“À Comarca, abraço de universalidade”), e Conclusões do I Colóquio da Imprensa da Beira-Serra. A reunião terminou com uma alocução de Jorge Moreira da Costa Pereira, sócio-gerente do jornal ” A Comarca de Arganil”

O I Colóquio abriu com a nossa intervenção, “Subsídios para o Inventário da Imprensa da Beira-Serra”, na condição de Director da Revista cultural Arganilia assinalando-se que voltámos a abordar o assunto na mesma publicação, em ensaio de 16 páginas, “Para a História dos Jornais e Revistas Arganilenses (edição nº. 20, ano 2006). Além de artigos esparsos de diversos autores sobre o tema, há que destacar o lançamento volume do Centenário de A Comarca de Arganil, que foi coordenado pela investigadora e escritora Regina Anacleto, Professora de História de Artes da Universidade de Coimbra.

As informações constantes do nosso texto seriam suficientes para justificar a instalação e as possíveis actividades do Museu da Imprensa Regional e das Comunidades de Língua Portuguesa, não só porque Arganil faz jús a esta necessária instituição cultural, mas também porque tem condições de estabelecer os laços com o Mundo da Língua Portuguesa - devem somar dezenas de milhares os emigrantes que nasceram na Beira-Serra e vivem nos cinco Continentes. Impõe-se, aliás, o motivo ponderável que temos no Rio de Janeiro o grande acervo jornalístico e literário do Real Gabinete Português de Leitura, do Liceu Literário Português e de outras associações culturais luso-brasileiras de alto nível, assim como em São Paulo se projectam as extraordinárias obras da Real e Benemérita Associação Portuguesa de Beneficência, o renovado Clube Português (que volta a sobressair no cenário da Terra Bandeirante) e a Casa de Portugal, a-par de outras meritórias agremiações luso-paulistas. E o mesmo poderá afirmar-se das entidades lusas em acção na Bahia, em Pernambuco, Fortaleza, Manaus, Belém do Pará, São Luís do Maranhão, Curitiba, Porto Alegre e em mais cidades deste fantástico País-Continente que é o Brasil, criado pelos portugueses e desenvolvido com os emigrantes que vieram de todo o Mundo!

(*) O articulista é escritor português e vive no Brasil. Já publicou mais de três dezenas de livros, os últimos dos quais foram Dicionário de Autores da Beira-Serra (2008), Fernando Pessoa, Salazar e o Estado Novo (2009) e Livro dos 90 anos do Clube Português (2010).