terça-feira, 26 de abril de 2011

Convite: Exibição de “Amália – o Filme”


O Centro de Estudos Luís de Camões, órgão cultural do Clube Português, tem o prazer de convidar V. Exª. e Exmª. Família para assistir à projeção do filme português Amália – O Filme de Carlos Coelho da Silva, direção de produção de Gerardo Fernandes.

Apresentação da escritora e professora universitária Raquel Naveira – a sessão integrará as comemorações do Descobrimento do Brasil.

Exibição do filme, 27/4/2011 às 19h30.

Após o filme, será servido um “cocktail”, oferecido pela Diretoria do Clube Português e pelo Moreno’S Buffet.

Prestigie a reunião com sua presença e convide os seus Amigos

Entrada franca

E-mail: centrodeestudosluisdecamoes@clubeportuguessp.com.br

Rua Turiassu, 59 - Tel: 3663-5953

terça-feira, 19 de abril de 2011

“A COMARCA”, “ARGANILIA” E “A COMARQUINHA”

Toda a História se baseia em documentos – e tudo o resto é conversa fiada. Repetir o que nos disse o amigo nada vale se não tiver uma base documental. Já lemos uma série de “estórias” sobre a Imprensa que nem merecem a catalogação. Ainda recentemente, um pretenso “estoriador” classificou como jornal uma revista da emigração: quer dizer, ele nem viu a publicação, mas certamente ouviu dizer...

O que se passa no jornalismo da emigração acontece também com freqüência na área regional. E na “grande imprensa” nem se fala, pois o hábito é ignorar a Província. Foi com o intuito de discutir a questão que a revista Arganilia tentou estabelecer o primeiro inventário da Imprensa da Beira Serra (nº 12, ano 2000, Lisboa). Foram reunidos mais de uma dezena de autores, cada um versando livremente o seu tema, mas o “inventário” contou apenas com dois trabalhos sobre o tema – Bosquejo histórico da Imprensa Arganilense, de Regina Anacleto, e outro da nossa autoria, Subsídios para o Inventário da Imprensa Arganilense.

Mais tarde, ampliámos o nosso estudo: Para a História dos Jornais e Revistas Arganilenses (nº 20 de Arganilia, ano 2006), e recentemente alargámos a série com mais 3 artigos na “Comarca” restaurada, depois da desastrosa falência da empresa e do período vazio entre 10 de junho de 2009 e 23 de dezembro de 2010, o que significa que, tendo aparecido em 1 de janeiro de 1901, as edições ainda não somaram 111 anos. Talvez as datas não tenham grande importância, porém os historiadores estarão perfeitamente informados.

Entretanto, a nova A Comarca de Arganil reapareceu e os seus mais antigos colaboradores sentem-se concerteza recompensados, apesar do longo hiato de quase um ano e meio. Aliás, pouco há a acrescentar à História coordenada pela escritora Regina Anacleto, malgrado as falhas de atenção a certos participantes, entre os quais apontamos António Lopes Machado, redactor, durante meio século, em Lisboa do jornal centenário que em boa hora passou a dirigir.

Remetendo-nos à História dos 100 anos, limitar-nos-emos a mencionar a relação estabelecida sob a autoridade de Regina Anacleto com sobre os diretores/editores do periódico, desde o 1º número, em 1-1-1901:

1) 1901-1904 A. J. Rodrigues, proprietário e editor responsável;

2) 1905: Francisco Ignácio Dias Nogueira, director, e António A. B. Gama editor;

3) 1906: Francisco Ignácio Dias Nogueira, director, António A. B. Gama e F. Gomes Júnior. Editores;

4) 1907: Francisco Ignácio Dias Nogueira, director, e F. Gomes Junior, editor;

5) 1908-1909: Francisco Ignácio Dias Nogueira, director;

6) 1910: Francisco Ignácio Dias Nogueira, director, e Eugénio Moreira, diretor e administrador, que se manteve na direcção do jornal até 1942, e veio a ser substituído por A. Lopes da Costa no cargo de director efectivo; 1943-1955 posição que só deixou de exercer quando foi substituído em 1958 por João Castanheira Nunes. De 1982 a 1999 a direcção plena do jornal foi assegurada por Francisco Carvalho da Cruz, que teve Jorge Moreira no cargo, no ano 2000, até 2009, quando a empresa proprietária do jornal, requereu a falência.

A revista “Arganilia” e “A Comarquinha”

A revista “Arganilia” publicou o seu primeiro numero no 2º semestre de 1992 e o seu propósito foi o de abordar os temas culturais da Beira-Serra. O titulo foi inspirado, em 1912, pelo então jovem jornalista, escritor e diplomata Alberto da Veiga Simões, que não realizou o projecto por ter sido nomeado Cônsul de Portugal em Manaus. Porém, o seu espírito motivou-nos ao lançamento da publicação 70 anos mais tarde.

Estão publicados 23 volumes que destacam não só a obra de Veiga Simões mais também as do poeta Brás Garcia Mascarenhas, Visconde de Sanches de Frias, José Simões Dias, Condessa das Canas, Prof. Padre Antonio Nogueira Gonçalves, Conselheiro Albino de Abranches Freire de Figueiredo, Monsenhor Augusto Nunes Pereira, Dr. Fernando Vale, Prof. Dr. Marcelo Caetano e Profª Drª. Regina Anacleto. Paralelamente foram editados volumes sobre Arganil, Góis, Pampilhosa da Serra, Poiares, Coja, Oliveira do Hospital e Lousã, assim como nºs. dedicados à imprensa Arganilensse e ao ensino.

Trata-se de uma publicação que já reúne uma boa parte de estudos sobre o patrimônio cultural da Beira-Serra. A larga maioria das edições foi dirigida por nós e por António Lopes Machado. É a primeira revista da nossa região, o que tem provocado inúmeras tentativas de utilização de pessoas não autorizadas, do ponto de vista intelectual. Não obstante, os seus mentores pretendem continuá-la, tanto mais que aspectos importantes do patrimônio histórico-cultural da região estão dispersos ou ainda não foram analisados.

Quanto ao suplemento infanto juvenil “A Comarquinha” foi durante 16 anos um caderno de “A Comarca de Arganil”, sendo o ultimo volume de 03 de dezembro de 2008. Foram publicados 216 números, tratando de assuntos de feição regional, especialmente para os jovens. O seu propósito foi sempre o de despertar o interesse das crianças e dos adolescentes pela leitura da “A Comarca” de amanhã.

Com este quarto artigo sobre a imprensa arganilense, concluímos por agora nossa pesquisa e os nossos comentários acerca de um tema sempre atual e não aprofundado até hoje.

sexta-feira, 11 de março de 2011

Temas Beirões: JOÃO BRANDÃO E O PAPEL POLÍTICO QUE TEVE NA GUERRA CIVIL DA BEIRA (1832-1834)


Disse Fernando Pessoa que “o mito é o nada que é tudo” e esta definição pode aplicar-se à lenda que surgiu em torno da vida de João Victor da Silva Brandão (1825-1880).

Na verdade, o mito surge e alastra a partir de uma “história de fundo lendário” que se desenvolve desde criança e por vezes vai até à idade adulta, conforme sustenta Fernando Ilharco: “a tendência constitucional para a mentira, para forjar acontecimentos imaginários (fabulação) e para simular estados orgânicos anormais simulados. É uma disposição muitas vezes hereditária e mais freqüente na mulher”

Entretanto, deixemos o mito e recordemos que João Victor nasceu e cresceu num ambiente que vai desde a participação do seu pai nas lutas liberais que assinalaram o cerco do Porto até à actividade guerrilheira travada pelos beirões (que na maioria dos casos terão sido contrários ao autoritarismo do Rei D. Miguel). E se ultrapassarmos o tempo, teremos de convir que havia guerrilheiros de ambos os lados – e não de um só! Não obstante, a lenda formou-se preferencialmente em torno de João Brandão, como se os tiros não fossem também disparados pelos miguelistas, apesar de serem conhecidas às violências desferidas contra inúmeros liberais, de acordo com os testemunhos daqueles que sobreviveram à tragédia que abalou quase toda a região, com destaque para a Beira-Serra. E da profusa documentação em jornais e revistas destacamos agora o volume “Apontamentos da vida de João Brandão por ele escritos nas prisões do Limoeiro envolvendo a História da Beira desde 1834”

Para lá das informações do autor, que descreve os acontecimentos que viveu de perto, salientamos a “Relação dos ferimentos e mortes praticados na Província da Beira, desde 1834”: foram 235 mortos, incluindo 21 abatidos pelas forças da ordem (militares e guardas civis), além de 13 sacerdotes e seus familiares, bem como 6 assassinatos atribuídos à guerrilha de Agostinho Vaz Pato e de muitos outros pequenos grupos e pessoas, nalguns casos identificados. De um lado, aponta-se a cooperação das “forças da ordem” absolutistas e, paralelamente, a violência contra os padres, vários dos quais estiveram presos em virtude das suas idéias liberais.

Deduz-se de todos estes esclarecimentos que as intervenções de João Brandão não foram as de um bandido vulgar, mas, sim, as de um político militante, que seguiu o liberalismo de seu Pai, combatendo sempre o autoritarismo absolutista; Se cometeu os excessos dos guerrilheiros, os dos miguelistas não foram menores, embora “o mito que é tudo” haja resvalado para o defensor da Rainha (que nunca deixou de apoiar os beirões liberais).

Segundo revela o professor José Manuel Sobral, que prefaciou a 2ª.edição dos

Apontamentos da vida de João Brandão”, o “mito” que beneficiou os adversários de João Victor da Silva Brandão era romântico, porém falso, mas vingou ao ponto de se transformar numa espécie de “hino” dos cantores cegos e provincianos de Lisboa e de aldeias, anunciando os “crimes” de J. B. e a sentença injusta do tribunal de Tábua que o condenou ao degredo em Angola (o júri era formado por um Vaz Pato e por diversos inimigos políticos). E o mito virou lenda, que também nós escutámos em criança, sem entender as origens da tragédia da guerra civil da Beira-Serra).

Muito mais é preciso contar e documentar acerca do liberal indomado de Midões. Insisto neste ponto para honrar a memória do meu avô paterno (que era “midoense” e nada teve com a ideologia de João Brandão), mas insurjo-me contra o julgamento inadmissível de quem o condenou ao degredo, sabendo que até em Angola foi ilegalmente perseguido e roubado, à sombra de um absolutismo ditatorial. Assassinado covardemente por um militar criminoso, depois de morto degolaram-no e mandaram a cabeça ao governador ignóbil...

Acusado pelos miguelistas retardados, os povos de Catumbela (entre o Lobito e Benguela) ergueram-lhe um rústico monumento do jardim público, agradecendo não só a fundação da importante Companhia Agrícola Cassequel, mas também as condições de trabalho dos seus colaboradores. Há cerca de trinta anos visitei esse jardim público – com o Padre e jornalista José Vicente - e fui agradavelmente surpreendido com a existência do monumento em memória de João Brandão: havia um resguardo de vidro com dezenas de cartas de admiradores anônimos exaltando as qualidades de trabalho e de apoio recebidas do benfeitor de Midões.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Brasil: A DIVULGAÇÃO DA CULTURA PORTUGUESA ATRAVÉS DAS ASS0CIAÇÕES LUSO-BRASILEIRAS


Com cerca de 170 agremiações espalhadas por todo o vastíssimo território brasileiro, o papel que têm cumprido na divulgação da Cultura Portuguesa ainda não foi devidamente avaliado pelos especialistas nem tão pouco pelos governantes dos dois paises que costumam atravessar o Atlântico mais pela devoção turística do que ao serviço dos reais interesses de Portugal e Brasil.

As associações lusobrasileiras, cujo pioneirismo foi inaugurado pelo Real Gabinete Português de Leitura, em 1837, no Rio de Janeiro, têm feito mais pela Cultura Portuguesa do que todos os políticos seja ele qual ele for. Num passado já remoto, lembramos dois estadistas portugueses que tentaram estimular a aproximação de Portugal e Brasil - o Rei D.Carlos, que preparava a sua visita quando foi barbaramente assassinado, juntamente com o filho mais velho, e o Presidente da República, António José de Almeida, que em 1922 veio participar das comemorações do centenário da independência. E os outros reis e presidentes que fizeram – e neste capítulo incluímos os dirigentes dos dois lados, perguntamos o que é que eles fizeram para que portugueses e brasileiros possam unir-se na construção de um futuro comum. Que responda quem souber!

Às associações de espírito lusíada no Brasil já devemos bastante assim como ressaltamos alguns intelectuais e artistas lusos, entre os quais apontamos as obras de Hipólito José da Costa, João Lúcio de Azevedo, Raphael Bordallo Pinheiro e dos contemporâneos Gilberto Freyre, Jaime Cortesão, Pedro Calmon, Ferreira de Castro, Miguel Torga, Serafim Leite e de tantos outros!

Do ponto de vista associativo, o Clube Português passou a ter, desde 1920, uma posição de relevo, no plano cultural, mas, nos últimos decênios anos, foi dos que mais se ressentiu, em São Paulo, da queda do surto emigratório e apenas na presidência de Rui Mota e Costa a crise econômico-financeira foi debelada. Uma nova fase cultural começou em 2010 com a mesa - redonda, coordenada pela escritora Teresa Rita Lopes (da Universidade Nova de Lisboa) e a participação de professores e escritores brasileiros e portugueses, em torno de “As idéias políticas de Fernando Pessoa”, desmentindo que o poeta da Mensagem fosse um mero seguidor do regime fascista. E não o foi, conforme revelaram os documentos do livro Fernando Pessoa, Salazar e o Estado Novo, assim como as conclusões do debate (em 14-7-2010), no Clube Português, nas comemorações, no Brasil, do 75º aniversário da morte de criador dos heterônimos.

Um livro foi lançado – 90 anos do Clube Português, sob a coordenação do Centro de Estudos Luís de Camões (órgão cultural da entidade), e nesse volume de 160 páginas reunimos os principais episódios da história da agremiação luso-paulistana, desde 1920 até hoje. Foram recolhidos depoimentos daqueles que têm acompanhado a vida associativa e vão continuar a fortalecê-la enquanto puderem. O volume reúne dezenas de manuscritos e fotografias dos fundadores e colaboradores dos principais acontecimentos, testemunhando o muito que fizeram pela dignificação cultural da Nação Portuguesa no Brasil e da receptividade da acção que tiveram e que ainda cumprem no país irmão. Por fim, vale a pena ressaltar que o espírito lusíada do Clube Português de São Paulo tem como símbolos os dois maiores poetas de Portugal de ontem e de sempre - Luís de Camões e Fernando Pessoa!