quarta-feira, 27 de maio de 2009

Participação de João Alves das Neves no PROGRAMA CONEXÃO LUSÓFONA na ALL TV

Caros Amigos.

Estarei no próximo dia 29 de Maio (sexta-feira) às 15 horas, de Brasília, 19 horas de Lisboa, no programa Conexão Lusófona, que é transmitido pelo site http://www.alltv.com.br/ e dirigido pela jornalista Portuguesa Sofia Salgado.
Falarei sobre o meu trabalho a respeito de Fernando Pessoa, de "Portugalidade" e de 10 de Junho - Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades de Língua Portuguesa.
Agradeço a divulgação.
Assista e participe!!
Abraços.
João Alves das Neves.

Angola: OS BRASILEIROS DESCOBREM UM PAÍS PROMISSOR - Parte II

Mais de 50 empresas brasileiras (grandes, médias e pequenas) estão já instaladas em Luanda e outros lugares, conforme artigo de O Estado de S. Paulo,assinado por Edison Veiga, com base em informações da Associação de Empresários e Executivos Brasileiros em Angola. Os empreendimentos são de vulto – o Grupo Odebrecht, por exemplo, dispõe de 10 mil empregados (2.500 são brasileiros) e fez várias centrais hidroelétricas, constrói imóveis e participa das obras de saneamento de Luanda e participa do único central de compras do país (tem 89 lojas), ao passo que a Construtora Andrade Gutierrez amplia os projetos.

Por seu turno, cresce a influência da TV Globo Internacional, que fornece novelas para a Televisão oficial e, além disso, tem 150 mil assinantes. E a Universidade Agostinho Neto contratou diversos professores brasileiros, dá facilidades aos 2 mil estudantes que freqüentam escolas superiores do Brasil, em São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Rio Grande do Sul. Paralelamente, a Universidade Agostinho Neto desenvolve-se a partir dos seus 50 mil alunos, que freqüentam 68 cursos de licenciatura, 18 de bacharelato e 15 de mestrado. E anuncia-se que funcionam igualmente 14 universidades particulares em todo o território.

Para lá das saudades que têm da Pátria, os brasileiros que optaram por Angola, definitivamente ou com planos de regresso, vivem muitíssimo bem. Considerando que são milhares os que auferem o triplo dos salários que ganhariam no país natal. E são bastantes aqueles que têm viagens pagas para revisitar de dois em dois meses as famílias que deixaram no país natal.

Como não há bela sem senão, os neo-emigrantes queixam-se da carestia angolana – e só os produtos importados são bons, porque a jovem nação ainda não pôde reformular a sua agropecuária, que foi outrora muito razoável. Os alimentos mais apreciados custam 4 vezes mais do que no Brasil: uma lata de coca-cola custa US$2,70 e uma refeição aceitável fica em torno de USA$50,00 – a moeda nacional é o “kuwanza”, mas para adquirir 1 dólar são precisos 75 “kwanzas”! E isto explica que um apartamento de 2 dormitórios não seja acessível por menos de US$ 5 mil... mensais! (Os executivos mais bem pagos chegam a dispender US$ 5 mil!).

Os brasileiros são como os portugueses e, por isso, irritam-se com o trânsito mais do que lento (em Luanda, nas horas de pico, há quem demore 3 horas para percorrer uma distância de 15 km...). Apesar dos pesares, Angola ainda vale a pena, em especial para os que têm paciência, porque oferece ao visitante praias bonitas, paisagens belíssimas – e, acima de tudo, ao que diz O Estado de S. Paulo, “o angolano é boa gente”, simpático, bem educado e gosta dos brasileiros (e também dos portugueses, porque a colonização foi muito pior noutras terras africanas).

Todavia, o que confrange é a pobreza vivida pela maioria dos 4,5 milhões de residentes na cidade de São Paulo de Assunção de Luanda, fundada pelos colonizadores, em contraponto a São Paulo de Piratininga. Resta aos bons luandenses a esperança de um futuro melhor, já que o presente é difícil.

Os brasileiros adaptam-se à vida angolana, mal grado a falta de uma felicidade completa, que não existe fora do sonho. E quem desembarca em Luanda para trabalhar não deve esquecer a sua condição de emigrante. Aliás, brasileiro que vai para Angola é um privilegiado, porque um alto salário contribui decisivamente para reduzir a saudade.

domingo, 24 de maio de 2009

Angola: OS BRASILEIROS DESCOBREM UM PAÍS PROMISSOR - Parte I

Cerca de 40 mil brasileiros já teriam desembarcado em Angola, nos últimos anos, ao mesmo tempo que alguns angolanos (e em particular as mulheres) vêm cada cada vez em maior número “fazer compras” no Brasil, desde roupas aos pequenos utensílios domésticos – primeiro, voavam de Luanda a Fortaleza, na região nordeste, e agora começaram a descer até São Paulo, no sul. E dizem que, apesar do alto custo da viagem, vale a pena, porque são muito mais caros os produtos de outros países, incluindo os adquiridos em Portugal (os exportadores que se cuidem, pois os ventos mudaram).

O que está ocorrendo não seria novidade no fim do século XVIII e no começo do XIX, isto é, reata-se uma tradição secular. Quem sabe História, recordará que os oportunistas holandeses, em virtude da guerra com os espanhóis, tentaram asfixiar a economia portuguesa (ou luso-brasileira?) por meio da ocupação do Brasil), pois chegaram a dominar uma boa parte do Nordeste e foram até Angola, instalando-se em diversos pontos do território. Portugal conseguiu libertar-se das grilhetas filipinas, mas os flamengos venderam por bom preço as zonas conquistadas temporariamente pelos militares dos comerciantes vitoriosos.

Em relação a Angola, foram os portugueses do Brasil e os seus descendentes “brasilianos” os principais financiadores da reconquista genuinamente luso-brasileira, ainda que com o denodado apoio da Metrópole, esgotada pelos roubos napoleônicos e, depois, com os gastos da guerra contra “nuestros hermanos (vizinhos, sim, mas não irmãos). A penúria lusitana de homens e dinheiro foi tão grande que o Padre Vieira, na dupla condição de diplomata e negociador, chegou a admitir a hipótese de Portugal ter de recomprar aos holandeses as terras que eles tinham descaradamente roubado a Portugal!
Felizmente, o despudor dos flamengos não conseguiu descaracterizar o Nordeste do Brasil, em virtude de eles haverem sido vencidos para sempre na batalha dos Guararapes (no Recife), ao mesmo tempo que as posições assumidas em território angolano foram destroçadas. Evidentemente, há contemporâneos que não sabem nem querem saber que a unidade do Brasil e de Angola só tem uma explicação - a coragem que os lusos demonstraram na luta contra os inimigos de ontem no antigo Ultramar e até em Portugal. E dizê-lo não significa que os portugueses fossem colonialistas dos tipos inglês, francês, espanhol, holandês, alemão ou italiano.

Não obstante, quando ocorreu a independência do Brasil, em 1822, houve quem, em Angola, defendesse a separação de Portugal e a união em nome de uma brasilidade atlântica, nessa altura tão débil quanto irrealista. O episódio histórico é mal conhecido, mas está documentado no livro Angola e Brasil – 1808-1830, da autoria de Manuel dos Anjos da Silva Ribeiro (ed. Agência Geral do Ultramar, Lisboa. 1970).

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Cartas da Diáspora: O OLIVEIRENSE ABREU E CASTRO ROMANCEOU GUARARAPES E FUNDOU MOÇÂMEDES - Parte II

Segundo Gonsalves de Mello, o romance de Bernardino Freire de Figueiredo Abreu e Castro “é digno de ser conhecido e reeditado”, pois documenta a terra e a gente de Pernambuco, costumes e monumentos: “Aí estão as informações acerca da Sé de Olinda, antes Matriz do que Catedral – onde chega a copiar textos de inscrições tumulares: de outras igrejas olindenses; da chamada Casa da Ópera, o velho Teatro de São Francisco”, etc.

Oportuno será transcrever uma das inscrições, traduzida do latim para o nosso idioma: “Jaz nesta sepultura o varão que por todos os títulos mereceu a imortalidade, ou porque bem vivera, ou porque morreu sanctamente, D. Mathias de Figueiredo e Mello, Bispo d’Olinda, o qual se olhares para a saudade do seu rebanho, viveu pouco; se para as suas acções praticadas em seis annos, viveu bastante; se para a calamidade dos tempos, viveu mais que muito; se para a memória das suas obras, sempre há de viver. Morreu com 40 annos de idade: no de Christo 1694”.

O comentário de Abreu e Castro não menciona a naturalidade do “Bispo Santo” (era de Arganil, seu vizinho beirão, e poderia ser até parente do nogueirense parte dos Figueiredos), limitando-se o romancista a salientar: “Pelo epítáfio se pode avaliar o merecimento d’este notável Prelado: não foi a lizonja quem o dictou. Longe dos seus só as suas eminentes virtudes lhe ganharam este padrão. Immite-o quem igual o quiser conseguir...”

Alude à ação que teve D. Mathias, na condição de Governador da Província de Pernambuco, ao substituir interinamente o titular Fernão Cabral (13-9-1688), que morrera, até â chegada (21-5-1689) do novo Governador, Antonio Luiz Gonsalves. Prosseguindo, escreve Abreu e Castro: “Foi mui commum a sua primeira sepultura; mas passados seis annos, o echo das suas admiráveis virtudes não o permitiu por mais tempo entre os desconhecidos. Foi trasladado para o Carneiro (ao lado do Evangelho do Altar-Mor da Sé); e referem as memorias do Cabido que, no acto da trasladação, se achou ioncorrupto, e que tocando-lhe, por acaso, um ferro do artista em um dedo, este vertera sangue”.

Terminamos com as palavras de Gilberto Freyre, quando visitou Moçâmedes, onde encontrou (em 1952) “uma comunidade luso-tropical caracterizada por um quase sistema de relações simbióticas de grupos étnico-culturais uns com os outros e de todos com o ambiente ou o meio tropical”. Mais adiante, declara o sociólogo brasileiro: “De alguns daqueles colonos sabe-se que se especializaram, como Bernardino de Figueiredo, em cultivar muito brasileiramente, em Moçâmedes, algodão e cana de açúcar; e com tal sucesso que amostras de algodão da fazenda e do açúcar do engenho do mesmo Figueiredo figuraram em 1865 na Exposição Internacional do Porto”. Finalmente, declara Gilberto Freyre que baseou as suas observações, em boa parte, na Memória fornecida à Câmara Municipal de Moçâmedes pelo cidadão Bernardino Freire de Figueiredo Abreu e Castro – palavras que consagram definitivamente o alto conceito científico e cultural do beirão de Nogueira do Cravo. (3)

(3) O estudo Em torno de alguns túmulos Afro-Cristãos, da autoria de Gilberto Freyre, foi divulgado em 1959 pelas Publicações da Universidade da Bahia (Brasil)