quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Boas Festas !!

Legenda: Livro de obras de D. Duarte - Autor Anônimo

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

MUSEU DA IMPRENSA REGIONAL E DAS COMUNIDADES DE LÍNGUA PORTUGUESA


A História da Comunicação que leccionei durante cerca de 25 anos na Faculdade de Comunicação Social “Cásper Líbero” – pioneira do ensino jornalístico no Brasil - foi a que mais me interessou, entre outras cadeiras. Trata-se de um tema ligado de perto ao jornalismo profissional que exerci por mais de meio século: exige conhecimento e interpretação.

Das aulas práticas, passei à busca e selecção dos jornais e revistas que apresentei nas 16 mostras no Brasil (12), Portugal (2), (França, na UNESCO, em Paris) e em Macau. E, como pesquisador, publiquei 2 livros: História breve da Imprensa de Língua Portuguesa no Mundo (Lisboa, 1989) e A Imprensa de Macau e as Imprensas de Língua Portuguesa no Oriente (Macau, 1999). A informação sobra, mas nunca dirigi nenhum museu.

Entre os vários colóquios que coordenei, recordo o de 2000, em Lisboa, onde pudemos recolher as valiosas colaborações de Monsenhor A. Nunes Pereira (“Do Jornal ao Livro”), de Regina Anacleto (da Universidade de Coimbra - “Bosquejo histórico da Imprensa Arganilense”), de Aníbal Pacheco (“Imprensa Regional – um factor de Cultura”), de Lina Maria G. Alves Madeira (“Do “Jornal da Mulher” às mulheres do Jornal de Arganil”), de Teodoro Antunes Mendes (“A minha homenagem à A Comarca de Arganil”) de J. E. Mendes Ferrão (“A Comarca de Arganil, o mensageiro das “novas”e o fermento da saudade), António Lopes Machado (Nos meus 41 anos de redactor de A Comarca de Arganil em Lisboa), carta da escritora Beatriz Alcântara (de Fortaleza, Brasil), jornalista Cáceres Monteiro (A Imprensa Regional é mais lida do que a nacional”, Fernando Correia da Silva (“À Comarca, abraço de universalidade”), e Conclusões do I Colóquio da Imprensa da Beira-Serra. A reunião terminou com uma alocução de Jorge Moreira da Costa Pereira, sócio-gerente do jornal ” A Comarca de Arganil”

O I Colóquio abriu com a nossa intervenção, “Subsídios para o Inventário da Imprensa da Beira-Serra”, na condição de Director da Revista cultural Arganilia assinalando-se que voltámos a abordar o assunto na mesma publicação, em ensaio de 16 páginas, “Para a História dos Jornais e Revistas Arganilenses (edição nº. 20, ano 2006). Além de artigos esparsos de diversos autores sobre o tema, há que destacar o lançamento volume do Centenário de A Comarca de Arganil, que foi coordenado pela investigadora e escritora Regina Anacleto, Professora de História de Artes da Universidade de Coimbra.

As informações constantes do nosso texto seriam suficientes para justificar a instalação e as possíveis actividades do Museu da Imprensa Regional e das Comunidades de Língua Portuguesa, não só porque Arganil faz jús a esta necessária instituição cultural, mas também porque tem condições de estabelecer os laços com o Mundo da Língua Portuguesa - devem somar dezenas de milhares os emigrantes que nasceram na Beira-Serra e vivem nos cinco Continentes. Impõe-se, aliás, o motivo ponderável que temos no Rio de Janeiro o grande acervo jornalístico e literário do Real Gabinete Português de Leitura, do Liceu Literário Português e de outras associações culturais luso-brasileiras de alto nível, assim como em São Paulo se projectam as extraordinárias obras da Real e Benemérita Associação Portuguesa de Beneficência, o renovado Clube Português (que volta a sobressair no cenário da Terra Bandeirante) e a Casa de Portugal, a-par de outras meritórias agremiações luso-paulistas. E o mesmo poderá afirmar-se das entidades lusas em acção na Bahia, em Pernambuco, Fortaleza, Manaus, Belém do Pará, São Luís do Maranhão, Curitiba, Porto Alegre e em mais cidades deste fantástico País-Continente que é o Brasil, criado pelos portugueses e desenvolvido com os emigrantes que vieram de todo o Mundo!

(*) O articulista é escritor português e vive no Brasil. Já publicou mais de três dezenas de livros, os últimos dos quais foram Dicionário de Autores da Beira-Serra (2008), Fernando Pessoa, Salazar e o Estado Novo (2009) e Livro dos 90 anos do Clube Português (2010).

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Descobrimentos: O NAVEGADOR CRISTÓVÃO COLOMBO SERIA PORTUGUÊS


Entre as várias hipóteses aventadas sobre a naturalidade de Cristóvão Colombo, destaca-se a de Génova, mas falta a documentação comprovante. E a de Barcelona é ainda mais fantasiosa.


Se fosse indiscutível a primeira dedução, porque é que ele não sabia falar e muito menos escrever alguns dos dialectos genoveses, já que o idioma que ele usou mais vezes foi o português e, depois, o velho castelhano, pois foi ao serviço dos Reis Católicos que ele consumou as viagens à América - o Rei D. João II de Portugal recusara o projecto, por saber que o caminho marítimo para as Índias era pelo Atlântico Sul e depois através do Índico. E tinha razão conforme o demonstrou Vasco da Gama.


Entretanto, retomemos o começo e os portugueses dominavam as rotas atlânticas – e se não foram mais cedo à Índia e ao Brasil foi por respeitarem cronologicamente definidas as suas rotas de viagens. E se estas exigiam coragem, o resto tinha sido previamente traçado, porquanto os castelhanos seguiam na babugem lusitana e os outros europeus (da França, Inglaterra, Holanda, Itália e Inglaterra, todos à volta com convulsões independentistas), limitavam-se a espionar em Lisboa (leia-se Jaime Cortesão) os projectos, os mapas e as inconfidências de alguns traidores, porque, como disse Camões, entre os portugueses, traidores houve algumas vezes...


Em relação a Colombo (nome talvez suposto), pode admitir-se que ele seria plebeu (como insinuam os genoveses), na falta de comprovação documentada, nem tão pouco o judeu de documentação, nem Lisboa (Fevereiro de 1479) e, como está provado – o grande navegador apesar de não ter chegado à Índia – casou com D. Filipa Moniz Perestrelo, que foi Donatária da Ilha de Porto Santo, de quem teve o primogênito D. Diogo. Colombo (ou Colom) teve mais tarde outros dois filhos da espanhola Beatriz Torquemada, mas não chegou a casar-se com ela).


Entre mais de uma dezena de livros que pudemos compulsar em Lisboa, nos últimos meses – Cristóvão Colom, o Almirante de Nobre Estirpe, de autoria da historiadora Julieta Marques, e Colombo Português de Manuel Rosa, os dois autores juntam-se aos especialistas que defendem a tese de que Cristão Colombo nasceu em Cuba, no Alentejo de Portugal. (Voltaremos ao assunto).


Sobre mim: Articulista e escritor português que vive em São Paulo, agradecendo novos subsídios;

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Comentário Sobre o Livro "Poeta e Cronistas Africanos" de 1963



Publicada no Brasil por um autor português, esta colectânea de literatura africana de língua portuguesa surgiu num momento em que a União Indiana anexara já os territórios da chamada Índia Portuguesa e a sublevação armada se iniciara em Angola e na Guiné.

Contudo, a tese do autor sugere que, literariamente, essa sublevação já se iniciara havia muito nos cinco territórios africanos sob administração colonial portuguesa. Uma sublevação que crescera com os discursos identitários e se afirmara com as narrativas sobre as especificidades de cada território. Recuando ao movimento Claridade, de Cabo Verde, e à voz singular de Costa Alegre, de S. Tomé e Príncipe, o autor pretende ilustrar essa tese reunindo neste volume uma diversidade literária que não era tolerada pelo regime.
Surgindo depois da Antologia de Poesia Negra de Expressão Portuguesa (1958), publicada em França por Mário de Andrade (1929-1990), depois das colectâneas Contistas Angolanos e Poetas Angolanos, publicadas em Lisboa pela Casa dos Estudantes do Império, depois das antologias Contos de África (1961) e Novos Contos de África (1962), editadas pelas Publicações Imbondeiro, e depois do volume de análise sócio-literária L'Afrique dans l'oeuvre de Castro Soromenho (1960), de Roger Bastide (1898-1974), a presente colectânea poderia parecer nada acrescentar às anteriores, não fosse o caso de incluir, entre outros, textos de Luandino Vieira e Agostinho Neto...
Apesar da sua importância e do valor simbólico da sua publicação naquele preciso momento, é curioso verificar a apreciação do autor sobre a obra, passados 24 anos, na dedicatória que se reproduz: "(...) estes 'velhos' Poetas e Contistas Africanos de Expressão Portuguêsa, lembrança de um tempo já ultrapassado, hoje válido apenas como documento, (...)".


Texto Puplicado em: http://www.literaturacolonialportuguesa.blogs.sapo.pt/

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Orelha do Livro “A economia em Pessoa” de Gustavo Franco(*)

Só tenho que me congratular com a publicação de A economia em Pessoa/Verbetes contemporâneos, organizada por Gustavo H. B. Franco, porque, ao lado de antologias gerais, passamos a ter um estudo realmente especializado sobre os textos pessoanos versando as questões econômicas. O leitor não deve se surpreender com o interesse do poeta pela economia; com efeito, o criador dos heterônimos não era tão jejuno como alguns pensam nesta área, pois freqüentou desde 1902 a Commercial School de Durban e manteve-se fiel ao tema quando, na autobiografia de 30-3-1935, se declarou apenas "tradutor" ou "correspondente de casas comerciais", já que traduziu centenas de cartas e outros textos para mais de uma dezena de firmas: "O ser poeta e escritor - confessou - não constitui profissão, mas vocação." E foi com esses trabalhos que ele pôde atender suas necessidades financeiras mais prementes até à morte, aos 47 anos.

Os textos de Fernando Pessoa sobre economia foram escritos, quase todos, em 1926, quando o poeta fundou e editou a Revista de Comércio e Contabilidade. Esses textos reapareceram depois nos volumes Fernando Pessoa/textos para dirigentes de empresas, de 1969, organizados por seu primo Eduardo Freitas da Costa, em Lisboa; Sociologia do comércio, organizado por Petrus; e Fernando Pessoa, o comércio e a publicidade, organização de Antônio Mega Ferreira, de 1986. Cremos que a última e mais ampla edição dos referidos textos foi a que fizemos em 1992 sob o título de Fernando Pessoa: estatização, monopólio, liberdade e outros estudos sobre economia e administração de empresas, da qual se fez nova publicação em Lisboa, pela Universitária Editora, em 2004.


Entretanto, a fortuna crítica dos estudos econômicos de Fernando Pessoa assume postura autorizada com esta nova coletânea, que faz uma interpretação competente e original dos conceitos pessoanos em torno dos temas "Estatização, monopólio, liberdade", "A evolução do comércio", "Contra as algemas do comércio", "A essência do comércio", "Projetos de concentração industrial", "Organizar", "Quando a lei estimula a corrupção", "Os preceitos práticos de Henry Ford", "As regras de vida" e "Conceitos e preconceitos".


Em resumo, diremos que dispomos agora de uma visão crítica dos estudos econômicos de quem se julgava que fosse apenas Poeta. Quer dizer, doravante, ficamos rigorosamente bem informados, apesar dos cerca de 70 anos sobre os textos de Pessoa, que assume novas dimensões, a par das literárias. E o que ocorre com a Economia acontecerá também com a visão do escritor português sobre Política, Ocultismo e outros temas por ele sugeridos, nas múltiplas facetas de Alberto Caieiro, Ricardo Reis, Álvaro de Campos, Bernardo Soares e Raphael Baldaya, além de outros heterônimos de menor dimensão, mas que enriquecem ainda mais o escritor ortônimo Fernando António Nogueira Pessoa.


(*) Foi durante 1993-1999 foi secretário adjunto de política econômica adjunto do Ministério da Fazenda, diretor de Assuntos Internacionais e presidente do Banco Central do Brasil - fonte: www.pt.wikipedia.org/wiki/Gustavo_Franco

quarta-feira, 28 de julho de 2010

A visão plural e política de Fernando Pessoa

Por Vera Helena Amatti

A oportuna visita de Teresa Rita Lopes a São Paulo é um presente a todos os admiradores e pesquisadores da obra e da vida de Fernando Pessoa. Professora da Universidade Nova de Lisboa, a prof.a Teresa é hoje a maior autoridade mundial no concerne ao poeta português, fiel depositária dos mais de 27 mil papers deixados pelo autor, mais da metade deles ainda inéditos.

Convidada pelo Clube Português para abrilhantar as comemorações de 90 anos da instituição, Teresa Rita presidiu a mesa-redonda no dia 21 de julho, que teve como debatedores a escritora e pesquisadora prof.a Beatriz Alcântara, de Fortaleza, Ceará, Carlos Felipe Moisés, crítico literário e professor da Universidade São Marcos, e o prof. João Alves das Neves, jornalista, autor de seis livros sobre Fernando Pessoa e atual diretor cultural do Clube Português. O último deles, lançado no mesmo evento, “Fernando Pessoa, Salazar e o Estado Novo” (Ed. Fabricando Idéias, Sto André-SP), merece resenha à parte, dada a relevância da publicação.

Acertadamente, os debates abarcaram de forma ampla as várias perspectivas que Fernando Pessoa vislumbrou em seu tempo, ao desfazer os equívocos provocados pela torrente de informações na mídia que raramente passam pelos filtros especializados. Dono de uma visão plural justificada por seus inúmeros heterônimos, segundo a prof.a Teresa, Pessoa foi um crítico ácido e sutil do Salazarismo, do Liberalismo e do conservadorismo português. Seu aparente silêncio no cenário político da época modernista, em verdade é a agitação de idéias que perpassa sua obra.

As confusões ocorem pricipalmente em decorrência da terminologia “Nacionalismo”, que Teresa Rita fez questão de definir a um e outro: se Salazar adotou concepção datada do termo, as raízes do Nacionalismo de Fernando Pessoa ortônimo remontam ao Quinto Império de Vieira e Bandarra, citados e cantados em sua obra “Mensagem”. Para Teresa Rita Lopes, embora muitos tenham especulado sobre a natureza do objeto do Quinto Império de Pessoa – pois sabemos que o de Vieira era o Império de Cristo na Terra – o mais provável é que este seria a própria Língua Portuguesa, bastião e missão a ser levada a cabo pelos portugueses e por todos os falantes lusófonos.

Sob os auspícios das vanguardas Européias, sobretudo do Futurismo italiano de Marinetti, presente no heterônimo Álvaro de Campos, Pessoa faz o jogo de aproximação – nos aspectos formais - e distanciamento – nos políticos -, em uma atitude classificada por Teresa como “canibal”, em contraponto à “antropofagia” brasileira.

Carlos Felipe Moisés acrescentou outro viés político importante à obra pessoana, o humor. Por meio de uma coletânea de pensamentos e máximas de autoria de Pessoa, Moisés argumentou que seria essa também uma maneira de o poeta expressar sua indignação com o pensamento vigente na Europa do início do século 20, ainda sob a influência liberal da Revolução Francesa. Em uma das frases citadas por Moisés, Pessoa se mostra particularmente contraditório, a fim de obter o efeito humorístico:“O que há de mais curioso na célebre divisa ‘Liberdade, Igualdade e Fraternidade’ é que, pondo de parte a palavra Fraternidade cujo conteúdo é nulo, a Igualdade e a Liberdade são incompatíveis”.

Coletânea e cotejo dos pensamentos políticos do poeta certamente ainda demandam mais trabalho de pesquisa e integram um projeto de reconstituição da literatura pessoana, em sentido amplo, que a exemplo do tema escolhido para a comemoração luso-brasileira, revelam mais faces a serem descortinadas.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

A ESCRITORA TERESA RITA LOPES DEBATE, EM SÃO PAULO, AS IDÉIAS POLÍTICAS DE FERNANDO PESSOA

Desde 1985 até hoje, a escritora Teresa Rita Lopes, da Universidade Nova de Lisboa, tem sido a presença portuguesa mais constante das reuniões, no Brasil, do Centro de Estudos Fernando Pessoa e, agora, do Círculo que mantém o nome do criador dos heterônimos.

Embora sem enumerar suas conferências e comunicações que fez, neste País, foi a mais assídua, entre os autores que estiveram no Brasil. Cremos que as suas intervenções começaram em 1985 quando, ao lado de João Gaspar Simões, António Quadros e vários pessoanos, analisaram o tema “Pessoa: O Marinheiro”. E nos anos seguintes apresentou uma série de estudos, o último dos quais terá sido “Pessoa e Vieira”, que foi inserto no volume “400 anos/Padre Vieira/Imperador da Língua Portuguesa”, editado pela Fundação Memorial da América Latina, no qual foram reunidos os 15 ensaios apresentados no decurso do Colóquio Vieiriano, realizado em São Paulo, em Maio de 2008, no âmbito do XIII Encontro Cultural dos Países de Língua Portuguesa.


Diz Teresa Rita Lopes, no seu belo ensaio: “É comum a Vieira e Pessoa a convicção de serem profetas, isto é intermediários de Deus que se faz ouvir através das suas vozes. Aliás, como médium, também no plano literário, Pessoa se sente e apresenta, nomeadamente quando afirma que se limita a escrever o que alguém lhe dita – Deus ou essas criaturas através de si se manifestam, os seus heterônimos . Esta pode ser, entre muitas, uma das explicações da heteronímia”.

O seu primeiro livro sobre a obra do Poeta da “Mensagem” supomos que foi “Fernando Pessoa et le drame Symboliste. Héritage et création (1977), que teve por base a tese de doutoramento da pesquisadora portuguesa na Universidade da Sorbonne (Paris), onde ela lecionou. E muitos outros estudos vieram a seguir, relevando-se os não menos importantes “Pessoa Inéditoe Pessoa por conhecer(o último em 2 volumes), a edição crítica de “Álvaro de Campo - Livro de Versos” e muitos outros, que credenciaram Teresa Rita Lopes entre os mais destacados estudiosos da vasta obra pessoana.


De resto, a escritora alarga os seus trabalhos literários ao teatro e à poesia, assim como a criteriosas edições críticas de diferentes autores, entre os quis não podem ser omitidos O Privilégio dos Caminhos (1988), Álvaro de Campos – Vida e Obra do Engenheiro (1990), Álvaro de Campos, notas para a recordação do meu Mestre Caeiro (1997), etc.


Ao presidir, em 20 de Julho, a mesa-redonda em torno de “As idéias políticas de Fernando Pessoa” a professora Teresa Rita Lopes retoma a tradição cultural do Clube Português, onde se impuseram o arquiteto Ricardo Severo, que foi um dos mais prestigiados intelectuais portugueses no Brasil, no fim do século XIX e nos primeiros decênios do século XX, e bem assim Carlos Malheiro Dias e Fidelino de Figueiredo, próximos da vivência da instituição paulista, que foi continuada por Jaime Cortesão e, mais tarde, por Adolfo Casais Monteiro, Jorge de Sena e mais alguns, juntamente com vários escritores brasileiros, desde Afonso de Taunay, Guilherme de Almeida, Menotti Del Picchia – e não só historiadores, poetas, pesquisadores e conferencistas, artistas plásticos e de outros domínios.


Foi neste Clube Português que floresceu a Revista Portuguesa, capitaneada por Ricardo Severo, na década de 30, na qual colaboraram inúmeros intelectuais dos dois países. E por aqui passaram, além dos já consignados, Júlio Dantas, Antônio Correia de Oliveira, Albino Forjaz de Sampaio, Duarte Leite e até, em 1922, os “embaixadores” das artes e letras portuguesas, Fernanda de Castro e António Ferro,.ambos na esteira da revolucionária Semana de Arte Moderna de São Paulo.


E foi para consolidar esta aliança cultural luso-brasileira que recebemos nesta mesma sala onde estamos festejando agora os 90 anos da agremiação cultural de 14 de Julho de 1920, o escritor Fernando Namora, que proferiu (em 1968) a conferência “Breve perspectiva da Literatura Portuguesa Atual” – uma profunda reflexão sobre os escritores lusitanos da sua geração.


Chegou a hora de Teresa Rita Lopes – professora que tanto honra a Universidade Portuguesa e as Letras Portuguesas deste início do século XXI, com a sua poesia, o seu teatro e a sua ficção, ao mesmo tempo que espalha de Portugal para o mundo literário dos cinco Continentes os mais notáveis estudos sobre o Poeta que nos recordará eternamente que “a nossa Pátria é a Língua Portuguesa”. Morreu sem nos mostrar – por causa da censura fascista - o que pensava da longa noite de silêncio que os portugueses tiveram de suportar durante cerca de 40 anos. E a escritora veio a São Paulo para analisar e debater o pensamento político do poeta da “Mensagem”, que é, só por si, um grito de liberdade e de esperança de melhores dias para Portugal.


São Paulo (Clube Português),

20 de Julho de 2010.

(*) O escritor português João Alves das Neves, jornalista e professor universitário, vive em São Paulo desde 1958 e publicou três dezenas de livros, o último dos quais sob o título de “Fernando Pessoa, Salazar e o Estado Novo”

Crônica do Brasil: BASTIDORES DA CAMPANHA PRESIDENCIAL

Certos dirigentes do PT-Partido dos Trabalhadores não escondem as suas antecipadas pretensões: quando abandonar a Presidência da República, Luís Inácio Lula da Silva assumirá com toda a certeza um lugar de assessor especial de Dilma Rousseff, se esta não for derrotada pelo oposicionista José Serra.

E é o primeiro equívoco político, assinalando-se muitos outros: por exemplo, apóia ostensivamente, pois propagandeia a sua candidata antes de o poder fazer, de acordo com a legislação eleitoral. Já cometeu mais de meia dúzia de infrações à lei, assim como Dilma (o candidato Serra é o terceiro em faltas). Aliás, a posição do Presidente Lula é ambígua, por que se mostra à vontade, quando profere palavrões na TV. Não será por mal, embora se pondere que um Chefe de Estado e de Governo precisa de contenção, em especial quando fala para milhares de pessoas. A ex-ministra Dilma Rousseff também não se coíbe de fazer o que não pode: ainda há poucos dias, teve de se desculpar pela remessa ao Tribunal Superior Eleitoral de um programa do seu governo – e confessou que o assinou por engano – o texto era do seu partido político, que defende princípios radicais que a candidata não subscreve e que ela suprimiu no programa governamental nº 2... Dias antes, acusara o seu opositor de propósitos que o candidato Serra facilmente desmentiu, por serem falsos, o que provocou a demissão do chefe de imprensa da candidata “petista”.

Há certamente falhas do outro lado, mas José Serra age com maior cuidado quando opina. Entretanto, faltando pouco tempo para a eleição, os 2 candidatos presidenciais estariam tecnicamente empatados, mas tudo pode mudar. A consistência político-administrativa de Dilma Rousseff é mais frágil e ela não tem condições para responder à notícia acusatória da Veja (14-7-2010) – e a revista não foi desmentida ao informar: Radicais e Incendiários – Marco Aurélio Garcia é o autor do programa autoritário, com a ajuda de Franklin, defensor do controle da imprensa e Paulo Vannuchi, o criador do PNDH”. (Os três são colaboradores muito próximos do Presidente Lula). Á publicação semanal diz abertamente que Dilma Rousseff foi “revolucionária comunista”, mas ser hoje do PC não é ilegal.

Por enquanto, as sondagens não apontam o possível vencedor, de modo que tudo pode acontecer. Os adversários de Lula dizem que, se ganhar Dilma Rousseff, o Partido dos Trabalhadores ficará no poder durante 12 anos (incluindo os 8 do presidente Lula).

Quer dizer, se Lula mantiver a popularidade que tem hoje, poderá ganhar a eleição de 2014 e nesta hipótese tentará nova reeleição. Isto é, o PT governaria, portanto 20 anos.

Tudo isto e muito mais acontece quando “a procissão” não chegou ao adro!

Queixas & Reclamações

A EDP NÃO ATENDE AOS PROTESTOS

Internauta identificado pede que divulguemos a seguinte queixa contra a EDP-Bandeirante de Energia AS, cujo escritório fica na Rua Bandeira Paulista nº 530 (Chácara Itaim), na cidade de São Paulo:

1 – Enviou uma carta à EDP, em 12 de Novembro de 2009, chamando a atenção para um enorme transformador que pinga óleo em cima do passeio público, localizado na Rua Caetano Velho nº 80, no bairro do Juqueí (Município de São Sebastião), mas não foi atendido e a EDP limitou-se a informar por telefone que não havia perigo nenhum... e que o melhor era cortar duas árvores semi-queimadas pelo óleo.

Depois disso, uma das árvores pegou fogo por 3 vezes e foi preciso chamar os bombeiros. O Internauta informou a EDP e voltou a pedir providências em nova carta (de 20-5-2010), porém a EDP até hoje não respondeu. Qual é a entidade oficial que deve multar a empresa transgressora? (Esclarecemos que o transformador foi instalado junto á porta da residência e a uns 2 metros de uma pequena piscina).

O nosso correspondente diz que responsabilizará a citada distribuidora de energia por quaisquer danos que possam surgir (incêndio ou vítimas). O leitor salienta as irregularidades da EDP – e pede a intervenção de quem de direito pela segurança da sua propriedade.

A PREFEITURA NÃO DEFENDE OS DIREITOS DOS PAULISTANOS

2 - Os moradores da Rua Manuel Guedes (no Itaim-Bibi, em São/ Paulo) queixam-se de que a Prefeitura só defende os interesses dos comercianites, ignorando os residentes e os pedestres – limita-se a proibir de um lado, como se não houvesse esquerda e direita. O engenheiro do setor, sr Jaime. não recebe queixas de ninguém e dá instruções absurdas às secretárias que atendem por telefone. Os únicos beneficiados são os donos de 5 restaurantes da quadra, cujos clientes estacionam de um só lado, onde ficam horas e horas, enquanto os idosos, enfermos e mães de crianças não têm nenhuns direitos. Até quando, sr. Prefeito?

***

Hoje resumimos apenas os protestos de 2 Internautas, mas nas próximas edições apresentaremos mais protestos, enquanto não forem atendidas as Queixas & Reclamações do Povo. (Os protestos serão revelados desde que o autor indique sua residência, telefone e RG – informações que ficarão em sigilo, em nossa Redação).

O REDATOR DE PLANTÃO

domingo, 25 de julho de 2010

Heranças: Cantos e cartas de luso-paulistanos

Por Pablo Pereira
Há anos, viajando no interior de Portugal, encontrei no ambiente da fria Serra da Estrela um cenário de pequenas propriedades, com gente do campo vivendo em sítios cercados por muros de pedras. A bucólica paisagem pedrenta da bela região da Beira, que tem um parque nacional, levou-me a pensar nas dificuldades encontradas pelos desbravadores portugueses que aqui, no quinhentista planalto paulista, sem a abundância das pedras, tiveram de recorrer ao barro e às varas para erguer muros e paredes - na hoje escassa, porém famosa, engenharia da taipa.

Aquela São Paulo aparece em diversas obras literárias, ensaios, pesquisas, pinturas ensinando como um punhado de aventureiros d"além-mar criou do nada as bases da metrópole.

O Brasil não era Brasil e Portugal já tinha fronteira consolidada. Camões escrevia os cantos de seus Os Lusíadas mais ou menos nos mesmos dias, aí pelos 1550/70, nos quais Anchieta, por aqui, redigia suas cartas - que podem ser vistas no Mosteiro de São Bento. Pouco restou desse lastro português. Mas a São Paulo moderna soube conservar parte da gente ibérica, presente hoje menos na arquitetura e mais nos hábitos e costumes.

Semana passada, "viajei" novamente a Coimbra e região, desta vez pelas páginas de 90 anos do Clube Português, de São Paulo, livro lançado na sexta-feira. E encontrei lá diversas pistas da herança portuguesa na cidade. O clube, que tem rico acervo, foi fundado em 14 de julho de 1920, em Perdizes, mas está na Liberdade. Conta histórias de ancestrais dos Ermírio de Moraes, e de outros luso-paulistanos, como o arquiteto Ricardo Severo (1869-1940). Nascido em Lisboa, criado no Porto, mas que morreu em São Paulo.

"Queremos restaurar o clube", diz o advogado José de Oliveira Magalhães vice-presidente da entidade, ele próprio "um brasileiro nascido em Portugal". Magalhães é de Cabeceiras de Basto, Braga.

Relíquias: Obras raras no acervo português.

Um rico acervo mora no Clube Português. São obras raras, relacionadas no livro organizado por João Alves das Neves. Há adornos, coleções de revistas e jornais, telas e livros centenários, como Vocabulário Portuguez e Latino, de Raphael Bluteau, publicado em Coimbra em 1712, e as Rimas várias de Luis de Camões, comentadas por Manuela de Farias Y Souza, edição de 1685, de Lisboa. Ou, ainda, o Poema Épico A Liberdade de Portugal defendida pelo Senhor Rey D. João I, da Real Officina da Universidade, em 1782 – Há lá a História de Inês de Castro, a rainha morta do d. Pedro I português - os túmulos estão lado a lado no belo Mosteiro de Albobaça.
Fonte: O Estado de São Paulo - Domingo, 25 de Julho de 2010

segunda-feira, 5 de julho de 2010

DEBATE SOBRE “AS IDÉIAS POLÍTICAS DE FERNANDO PESSOA”



O Clube Português vai promover no dia 20 de Julho (a partir das 19h30) uma mesa-redonda sobre “As idéias políticas de Fernando Pessoa”. A reunião será presidida pela escritora Teresa Rita Lopes, que dirige o Centro de Estudos do Modernismo em Portugal e é uma das principais pesquisadoras da obra do Poeta da “Mensagem”, sobre a qual já publicou mais de uma dezena de volumes em Portugal, no Brasil e em outros países.

Com esta sessão, o Clube Português de São Paulo, que está comemorando os 90 anos da sua fundação, reinicia as suas atividades culturais e reúne escritores e professores brasileiros e portugueses de alto nível, entre os quais se destacam Lygia Fagundes Teles e Carlos Felipe Moisés (da Universidade de São Paulo), além de muitos outros de São Paulo, de Lisboa e de outras cidades.


O programa da mesa-redonda incluirá:

1) Depoimentos e debates sobre o tema proposto;

2) Apresentação do livro “Fernando Pessoa, Salazar e o Estado Novo”, com 5 poemas e 17 textos em prosa do poeta dos heterônimos, reunidos e comentados pelo escritor João Alves das Neves, diretor cultural;

3) Projeção do vídeo “Fernando Pessoa – O Teatro do Ser”, comentado por Teresa Rita Lopes;


Na oportunidade, serão apresentadas na Biblioteca 4 mini-exposições: uma dezena de retratos pessoanos, edições especiais de Fernando Pessoa e alguns livros de Teresa Rita Lopes, assim como obras raras do Clube Português. E, no salão. um grupo de artistas plásticos brasileiros e portugueses apresentará uma mostra, selecionada pela pintora Maria dos Anjos, com óleos, desenhos, gravuras, etc., sobre o criador da heteronímia (os quadros estarão à venda e devem ser entregues até 15/7/2010).


A mesa redonda e as exposições serão realizadas na sede do Clube Português (Rua Turiassu, 59 - Perdizes), com entrada franca, mas recomenda-se que os interessados em participar façam a inscrição

prévia no local, ou pelos telefones 011-3666 6837 e 3666-3035 (e-mail: secretaria@clubeportuguessp.com.br e site: http://www.clubeportuguessp.com.br/).

Outras informações pelos citados telefones, e-mail e site, ou ainda: pelo Círculo Fernando Pessoa (e-mail: jneves@fesesp.org. br ou pelos blogs: http://www.joaoalvesdasneves.blogspot.com/ e www.revistalusofonia.wordpress.com).


A Diretoria Cultural do Clube Português agradece a divulgação.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

AS RAÍZES PORTUGUESAS NA ARTE COLONIAL BRASILEIRA

Recentemente, foi divulgada a inesperada controvérsia sobre um retábulo sacro pintado sobre madeira que está sendo disputado entre as igrejas matriz da cidade paulista de Mogi das Cruzes e a igreja de Nossa Senhora do Brasil, na capital paulistana. Não foram revelados informes sobre o valor artístico do retábulo, nem tão pouco o que representa a imagem, mas tão somente que a peça religiosa datará de 1749. Quer dizer, a pintura é do tempo em que o Brasil era uma colônia portuguesa.

Curiosamente fala-se com freqüência da arte colonial mas somente os especialistas costumam identificar, o riquíssimo acervo das cidades históricas de Minas Gerais que valoriza singularmente o barroco colonial, embora esse patrimônio assuma outras variações em Portugal e em alguns países ocidentais. Os estudos comuns da arte colonial pouco informam e a maioria dos dicionários quase nada esclarecem, mas o que tem de ser admitido é que a arte colonial, religiosa ou não, no caso do Brasil, revela com certeza o espírito lusíada, isto é, tem raízes lusitanas, apesar de realizada na terra brasileira.

O Atlas Cultural do Brasil do Conselho Federal da Cultura do Brasil, coordenado por mais de uma dezena de especialistas de diversas áreas certifica: “As Artes Plásticas no Brasil da era colonial se distinguem em dois períodos de autoria distinta. O primeiro se manifesta com maior relevância no século XVII, e seus principais autores são religiosos, monges e irmãos, europeus e nativos. Desses, mencionam-se com destaque os beneditinos Agostinho da Piedade, escultor, português de origem, que faleceu na Bahia em 1661; seu discípulo, Agostinho de Jesus, fluminense;o pintor Frei Ricardo do Pilar, originário de Colônia, Alemanha, falecido no Rio, em 1700, contemporâneo e companheiro de trabalho do toreuta entalhador Frei Domingos da Conceição da Silva. Entre os jesuítas, citam-se diversos que aqui viveram e produziram, sendo difícil a identificação de cada autoria no acervo restante. Por pesquisa histórica sabe-se da presença, entre Olinda e Bahia, dos pintores jesuítas quinhentistas Belchior Prado, Lagott, Baptista e Mendonça, porém sem obra remanescente. Na centúria seguinte através de um depoimento do Padre Antônio Vieira, sabe-se que Eusébio de Matos fora dotado de todas as artes, pintura inclusive, e que diversos outros jesuítas continuaram produzindo até o meados Setecentos, para o fausto da Igreja de Jesus (atual Catedral, de Salvador) entre eles, Domingos Rodrigues, Carlos Belleville e Francisco Coelho”.

“As tentativas de identificação de autoria tem falhado diante do enorme acervo jesuíta. Uma obra de notável destaque é o forro da primitiva sala da congregação e biblioteca do Colégio, executado na primeira metade dos Setecentos e único, em todo o País, de perspectiva aerial corrigida em relação a cada uma das figuras representadas e a cada elemento arquitetural figurado” (...)(1)

O esclarecimento é válido e poderemos estabelecer o paralelo recorrente das igrejas de Minas Gerais, entre outras do Brasil, mas principalmente pode relacionar-se com as informações do Atlas Cultural do Brasil e com os elementos reunidos nos milhares de verbetes do Dicionário de Artistas e Artífices dos Séculos XVIII e XIX em Minas Gerais (2), que documenta a conjugação de esforços de portugueses e lusos-descendentes (do Brasil) – talvez a maior parte de quantos trabalharam em terras mineiras não foram identificados, mas conseguimos referenciar cerca de uma centena de portugueses que trabalharam nos projetos e na construção dos inúmeros templos e de alguns palácios, espalhados pelo território mineiro, onde atuaram, no total, milhares de pedreiros, carpinteiros, ferreiros e toda a sorte de artífices, ao lado de centenas de artistas dos mais variados ramos, incluindo perto de uma boa centena de pintores, escultores e outros portugueses.

O patrimônio histórico e artístico de Minas Gerais é tão vasto e rico que ainda não foi inventariado no seu conjunto. E se há outros núcleos em diferentes lugares do Brasil eles se conjugam para testemunhar o engenho e arte dos que viveram na colônia que chegou a ser a sede do Reino Unido de Portugal e Brasil em condições que não sofrem comparações no mundo de ontem e de hoje.

O inventário da participação portuguesa no Brasil continua incompleto: faltam milhares de igrejas construídas no tempo da colônia, assim como certos museus, com destaque para o de Arte Sacra de São Paulo, que soube reunir uma grande série de peças religiosas de origem lusa, bem como várias instituições culturais dispersas pelo vasto território brasileiro.

(1) Os estudos reunidos no Atlas Cultural do Brasil foram editados em 1972 pelo Conselho Federal de Cultura (MEC/FENAME), então presidido pelo Prof. e Escritor Arthur Cézar Ferreira Reis.

(2) Publicado sob a direção de Judith Martins, com o apoio de numerosos colaboradores – o 1º. vol. tem 406 págs, e o 2º. conta 396 págs. (Publicações do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Rio de Janeiro, 1974).

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Crônica do Brasil: SANTO ANTÓNIO NA CIDADE DE SÃO PAULO


Ao mesmo tempo que é a maior cidade de Língua Portuguesa, a cidade de São Paulo deve ser também a metrópole com mais paróquias e instituições antonianas do mundo, pois reúne 10 paróquias e outras 10 entidades consagradas ao padroeiro de Lisboa.


O que é surpreendente mas nem sempre reconhecido pelos seus quase 11 milhões de habitantes – quer dizer, mais pessoas que Portugal inteiro. Fundada oficialmente em 25 de Janeiro de 1554 pelo Padre Manuel da Nóbrega, que veio a ser o primeiro Superior da Companhia de Jesus no Brasil (recorda-se que no mesmo ano nasceu igualmente a povoação de São Paulo de Assunção de Luanda), São Paulo começou a crescer vigorosamente em meados do século XIX, graças a chegada dos emigrantes lusos, espanhóis, italianos e de outros países europeus, que escolhiam a região por ter um dos melhores climas do País – a terra é boa e favorável à agricultura, ao ponto de o Estado dos Paulistas ser hoje não só o mais populoso mas igualmente o que mais produz na agro-pecuária e na indústria do País.


Deste modo, explica-se a devoção a Santo António, de acordo com o Guia da Arquidiocese de São Paulo: a vintena de instituições antonianas das entidades eclesiásticas que já homenagearam o popular santo português estão dispersas por 10 bairros (ou sectores religiosos) e em 2 deles são invocados o lugar onde nasceu Fernando Martim de Bulhões (que depois assumiu a denominação religiosa de António), 1 menciona a terra onde ele morreu (Pádua) e as outras paróquias citam apenas o nome conhecido de Santo António. Aliás, devem ser apontadas também uma igreja não-matriz (todas as paróquias têm o seu templo votivo), além de uma capela, um colégio, uma casa e mais 4 sedes comunitárias.


Diz o historiador Luís da Câmara Cascudo (o mais importante folclorista brasileiro, com mais de uma centena de livros), no seu Dicionário do Folclore Brasileiro (2 volumes) que o milagreiro ulissiponense é o santo mais popular do Brasil. E entre as inúmeras obras sobre o grande e culto santo português merece destaque o livro Santo António de Lisboa militar no Brasil, da autoria do historiador José de Macedo Soares - a edição de 1942 é belíssima e a mais ampla que conhecemos, dando inúmeras informações acerca do santo que nunca veio ao Brasil, mas que continua influenciando milhões de brasileiros.


A notícia que damos sobre a existência de 10 paróquias e outras 10 instituições na Arquidiocese de São Paulo são mais do que suficientes para testemunhar a devoção pelo santo que nasceu em Lisboa e morreu em Pádua. E é claro que não são referidos os outros lugares do Estado de São Paulo, onde há talvez milhões de devotos de Santo António, entre os quase 40 milhões de habitantes paulistas (paulistanos são os que nascem na cidade homônima). Quer dizer, Santo António continua vivo em São Paulo e, por extensão, no Brasil).

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Peço a palavra: NO ANO DE 2009, OS PAÍSES DE IDIOMA PORTUGUÊS APROXIMAM-SE DOS 250 MILHÕES DE HABITANTES.

A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa reúne quase 250 milhões de habitantes, cifra que não vai demorar a atingir, se considerarmos as estimativas do Almanaque Abril 2010, que é publicado anualmente em São Paulo desde 1974 pela Editora Abril.



Trata-se de estimativas, pois não há recenseamento oficial da população dos 8 países de idioma oficial comum. Quanto às fontes utilizadas, são várias, porém selecionadas com o maior rigor possível. E não havendo outras, devemos considerá-las úteis, visto que importa conhecê-las e avaliá-las, já que são baseadas no crescimento demográfico de cada um dos 8 países, o qual atinge 2,7% ao ano em Angola, 1% no Brasil, enquanto em Portugal se limita aos 0,3% e na Guiné (Bissau) sobe para 2,2%, embora o crescimento populacional de Moçambique seja de 2,3%, assim se explicando que este país africano seja agora o 2º mais habitado, logo seguido por Angola. Quanto a Portugal, é o 4º.



Não pode esquecer-se que os 8 países assumiram oficialmente o idioma português, mas não deve esquecer-se que em vários deles nem todos os habitantes falam o nosso idioma.



Enfim, o que mais nos interessa saber, nesta circunstância, é que em qualquer órgão internacional os representantes dos 8 se exprimem em português e, nestas condições, somos já uma das maiores comunidades lingüísticas do mundo. E faremos, por acréscimo, mais duas anotações: o total das exportações de 7 deles (não dispomos das cifras de Timor-Leste) ascende a 254.821 milhões de dólares enquanto as importações dos mesmos 7 chegam aos 220.379 milhões. Trata-se de somas muito importantes, pois traduzem a realidade econômico-financeira da nossa Comunidade, ficando claro que o comércio internacional dos 8 não pode ser ignorado dos maiores compradores e vendedores mundiais.



Ponto de relevo é igualmente a comparação da “renda per capita”, segundo os números divulgados pelo Almanaque Abril 2010: a distribuição por pessoa, em Angola, seria de US$ 2.590 por ano, a do Brasil estaria nos US$ 6.060, cabendo US$ 2.680 a Cabo Verde, US$ 220 à Guiné (Bissau), US$ 340 a Moçambique, U$ 18.960 a Portugal e US$ 920 a São Tomé e Príncipe. E por estas cifras se pode observar que todos os 8 países comunitários continuam relativamente pobres, se compararmos as rendas “per capita” com as dos paises ricos!



Finalmente, damos aos leitores que nos acompanham o quadro que resumimos do Almanaque Abril 2010 relativamente às populações, exportações e importações de cada um dos 8 Países de Língua Portuguesa:

quinta-feira, 6 de maio de 2010

NOVA DATA - Lançamento do Livro "400 Anos do Pe. Vieira"

Foi reagendado para ao dia 20 de Maio as 19hs00 o Lançamento do Livro “400 Anos do Pe. Vieira” Editado pela Fundação Memorial da América Latina. O evento será no consulado Português situado na Rua Canadá nº. 324.

Contamos com a presença de todos vocês.

Abraços.

João Alves das Neves

quinta-feira, 29 de abril de 2010

O REGIONALISMO ANALISADO PELA SOCIÓLOGA MARIA BEATRIZ ROCHA-TRINDADE

Chegou “o estudo que faltava”, dissemos no prefácio de A Serra e a Cidade, mas os municípios de Arganil, Góis e Pampilhosa da Serra ainda não o leram com a devida atenção. E assim pode talvez explicar-se que só tardiamente costumamos reconhecer o valor intelectual e artístico de certas obras realizadas pelos autores da Beira-Serra.


Assim foi com Tomás Garcia Mascarenhas, que permaneceu inédito por largos anos embora estimado pelos seus conterrâneos avoenses: deixou-nos em 1656, mas o Viriato Trágico só foi editado em 1699 por devoção de Bento Madeyra de Castro, seu parente longínquo. Os anos tornaram esquecidos o autor e o poema, até que um e o outro foram redescobertos em 1846 por Albino d’Abranches Freire de Figueiredo, que por sua conta tou o livro, sob a forma tipografada à moderna. E sobreveio outro largo sono, até que somente em 1996 voltou o poema, agora fac-similado, com apresentação do ensaísta José V. de Pina Martins.


Não obstante, os estudos crítico-biográficos de Simões Dias, Visconde de Sanches de Frias, Teófilo Braga, António de Vasconcelos, Fidelino de Figueiredo (que o considerou entre os nossos maiores épicos, na linha de Camões) e de outros estudiosos obra de Brás Garcia Mascarenhas continua a ser ignorada pela maioria dos historiadores literários) e este desconhecimento omite o poeta do Alva das nossas antologias de divulgação e ensaio. A burrice não sabe que a Literatura Portuguesa se projecta além de Lisboa, Porto e Coimbra.


Com outros escritores válidos acontece à mesma coisa e os autores da Beira vivem isolados na Serra. E pior estariam se o silêncio não fosse quebrado por intelectuais da estirpe de Maria Beatriz Rocha-Trindade, que encontrou uma razão cultural para analisar o Movimento Regionalista, que rompeu a partir da década de 20 do século passado com o atraso material e social população da nossa Terra: “Como acontece na gênese de qualquer movimento de cariz associativo, tal como o que veio a ser caracterizado no Regionalismo das Gentes da Serra, a formação de uma estrutura sólida, regular e cristalina inicia-se em geral, com encontros recorrentes de ocorrência mais fluida e irregular que, por várias vezes repetido, se tornaram habituais”.


Em conclusão, declara a socióloga que “os Regionalistas da Serra construíram e deram à luz uma forma modelar de iniciativa de sociedade civil, sem por isso menosprezar o poder do Estado: não são subditos ou servos - são parceiros de direito pleno.”


Ora, chegamos ao fim: os Municípios não podem ignorar estudos que, como o da investigadora, ensaísta e professora Maria Beatriz Rocha-Trindade dignificam o Movimento Regionalista que há perto de um século, com base nos arganilenses, goienses e pampilhosenses luta pela valorização material e cultural da Beira-Serra.


(*) O escritor João Alves das Neves retoma a sua colaboração habitual, que teve quer ser suspensa por alguns meses, por motivo de saúde.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Cancelamento LANÇAMENTO !!!

Prezados leitores,

Por motivo de força maior o lançamento do livro “400 Anos de Padre Vieira – O Imperador da Língua Portuguesa” foi adiado. Assim que tivermos a nova colocaremos novo Post.

Abraços.

Prof. João Alves das Neves

terça-feira, 6 de abril de 2010

Memorial lança o livro "400 anos Padre Vieira Imperador da Língua Portuguesa", que reúne ensaios de 15 autores portugueses e brasileiros

A vida e a obra do Padre Antônio Vieira é apresentada no livro 400 anos Padre Vieira “Imperador da Língua Brasileira”, publicado pela Fundação Memorial da América Latina. A publicação reúne 15 ensaios de especialistas brasileiros e portugueses que participaram do “Colóquio Internacional 400 anos de Padre Antônio Vieira Imperador da Língua Portuguesa”, realizado pelo Memorial e pelo Centro de Estudos Fernando Pessoa, em maio de 2008, ano em que se comemorou o quarto centenário daquele que Fernando Pessoa chamou de “Imperador da Língua Brasileira”.

O livro 400 anos Padre Vieira “Imperador da Língua Brasileira” tem o lançamento no dia 16 de abril, no Consulado Geral de Portugal em São Paulo (rua Canadá, 324), com o participação do coordenador, o jornalista português radicado no Brasil João Alves das Neves (foto), e de vários dos autores. “O Colóquio Vieira foi o maior evento realizado em São Paulo relativo aos 400 anos do Padre Antônio Vieira. Tive notícias de um encontro na USP, mas sem a presença de palestrantes portugueses. O nosso repercutiu bastante na época e agora se desdobra neste livro de inestimável valor”, disse Alves das Neves, atual presidente do Centro de Estudos Fernando Pessoa. Alves das Neves, por sua vez, lançará em maio o estudo “Fernando Pessoa, Salazar e o Estado Novo”, em que analisa o pensamento político e o repúdio ao regime salazarista de Fernando Pessoa .


Entre os temas tratados pelo livro 400 anos Padre Vieira “Imperador da Língua Brasileira”, estão a relação “Vieira/Fernando Pessoa”, o “orador”, o “viajante”, o “saudosismo e o Quinto Império”, a “saudade”, o “defensor dos índios e dos escravos africanos”, o “espaço da mulher”, “o religioso e o político em busca de soluções para Portugal”, além é claro dos aspectos propriamente literários de seu estilo.



Nascido em Lisboa no dia 6 de Fevereiro de 1608, o Padre Antônio Vieira veio para o Brasil aos seis anos, onde estudou e missionou durante a maior parte da sua vida; escreveu cerca de 200 sermões e mais de 500 cartas, e sua obra foi tão significativa quanto sua vida.

Antônio Vieira destacou-se, não somente como literato, mas também no campo da política e economia. Era um homem à frente de seu tempo, defendeu o direito dos “cristãos-novos” (judeus que eram obrigados a adotar a religião católica para fugir da inquisição) de permanecer em terras portuguesas numa época marcada pela intolerância. Acreditava que Portugal só tinha a ganhar economicamente com os investimentos financeiros dessa classe perseguida. Era também defendia os índios e os africanos.

Fernando Pessoa refere-se a ele em seu livro “Mensagem” como o “Imperador da Língua Portuguesa”. Sua obra tem como característica marcante o jogo de conceitos/idéias por meio do uso do raciocínio lógico e da retórica aprimorada. É tido como modelo de prosador e orador até os dias de hoje. Dentre os sermões de destaque temos: “Sermão de Santo Antônio” e “Sermão pelo Bom Sucesso das armas de Portugal contra as de Holanda”. O Padre Antônio Vieira morreu aos 89 anos, "saciado de dias", no Estado da Bahia, no país que tanto amou, o Brasil.

Serviço
Lançamento do Livro
400 Anos Padre Vieira “Imperador da Língua Portuguesa”
Preço: R$ 50,00
Dia: 16 de abril, sexta-feira
Horário: 19h
Local: Consulado Geral de Portugal/SP
Endereço: Rua Canadá 324
O livro está à venda no Memorial da América Latina
pelo telefone (11) 3823 4618.