sexta-feira, 3 de julho de 2009

0S 150 AN0S DA BENEFICÊNCIA PORTUGUESA DE SÃO PAULO - Texto Ampliado

Fundada por 168 portugueses, a Real e Benemérita Associação Portuguesa de Beneficência é hoje o maior centro hospitalar privado do Brasil - mantém os hospitais de São Joaquim, fundado em 1876, e o de São José, inaugurado em 2008.

A instituição atende em mais de 50 áreas médicas, tendo criado um Centro de Pesquisa com 37 núcleos nas áreas de cardiologia, urologia, clínica médica, pneumologia, infectologia, nefrologia, vascular, hepatologia e oncologia. Instalou um dos maiores bancos de sangue do país (coletou 30 mil bolsas de sangue em 2008). Faz diariamente cerca de 40 cirurgias cardíacas. E tem um ícone da modernidade – o hospital São José com 111 leitos (70 para internações), 7 salas de cirurgia, 14 UTIs e 6 semi-intensivas, MED Imagem e um Centro de Diagnósticos - tudo isto foi realizado sem subsídios... O reconhecimento pelo alto nível médico-hospitalar explica a aprovação pelo Ministério da Educação e Cultura, em 1988, dos cursos regulares de Pós-Graduação (Latu Senso): hoje, são 8 cursos, que já formaram 500 profissionais. Entretanto, o Programa de Residência Medica já diplomou 73 especialistas (de 2001 a 2008) nos domínios da anestesiologia, radiologia, diagnóstico por imagem e otorrinolaringologia, podendo afirmar-se que a “Beneficência”, não sendo uma escola, é um verdadeiro “Hospital de Ensino”.

Num estudo que publicou sobre “O papel da Beneficência Portuguesa e o problema da saúde no Brasil” salientou o engenheiro Antônio Ermírio de Moraes (Presidente desde 1971 até 2008) que a entidade continua “a tradição inaugurada com o significativo amparo que prestou às populações de Santos e Campinas, quando da epidemia da febre amarela de 1889, ocasião em que avultou a figura de Abílio Soares”. porém, a melhor homenagem que o Dr. António merece do Brasil está justificada nas suas próprias palavras: “Tenho orgulho em sermos um dos poucos hospitais que atendem a todas as classes sociais, incluindo o atendimento a 60% de pacientes pelo Sistema Único de Saúde. Anualmente são mais de 300 mil pessoas beneficiadas com o nosso trabalho que, ao longo de décadas, vem contribuindo para uma vida mais saudável de milhões de paulistanos e brasileiros.”

Falam também por ele os números bem expressivos: nos 6 edifícios da “Beneficência” (área construída de 143 mil metros quadrados), trabalham 6.000 pessoas – entre 1.500 especialistas do corpo clínico, que dispõe de 64 salas cirúrgicas. São realizadas 20 mil intervenções (incluindo 8 mil cardíacas) e 3.589 transplantes (em 7 áreas). Quanto ao número exato de leitos disponíveis é de 1.920 (com 223 de UTI).

Tamanha ação explica os 4 milhões de exames, em 2008, nos mais diversos setores. E testemunha igualmente as 30 mil cirurgias por ano. Professores de Medicina dão o seu contributo à entidade, que, graças à colaboração dos médicos e de profissionais (técnicos e auxiliares de enfermagem), cumprem a tarefa ambicionada pelos 168 portugueses que há 150 anos lançaram as bases de uma associação que ampliou o projeto das Santas Casas de Misericórdia, iniciado pela Rainha D. Leonor, em 1498 (são agora quase 400 em Portugal e 500 no Brasil): o sonho ampliou-se com as “Beneficências” e os seus hospitais brasileiros de espírito lusíada. Como referiu o Presidente Antônio Ermírio de Moraes “a tradição” não morreu.
Decorridos 150 anos, a “Beneficência Portuguesa” cresceu com a cidade de São Paulo. A instituição ultrapassou a fronteira médico-hospitalar, tornou-se patrimônio cultural do Brasil, conforme disse o historiador Pedro Calmon, na conferência que proferiu (9-9-1961), no Salão Nobre “Padre Manuel da Nóbrega”: “O que observamos no salão fulgurante da Beneficência Portuguesa é a ilustração dos grandes momentos da história comum, que nos dá a sensação estética de estarmos, não no interior de um imenso estabelecimento hospitalar, mas dentro de um livro de horas, ilustrado e velho livro iluminado com as grandes cenas e os personagens insignes da nossa tradição, - convivendo com as sombras veneráveis dos homens que fizeram o Brasil”. Na fachada principal, há mais 4 belíssimos vitrais e outros 6 iluminam a moderna capela da Beneficência Lusíada.
Lembramos as palavras do historiador brasileiro para homenagear o Dr. Antônio Ermírio de Moraes, que tão bem conhece os 33 vitrais do Salão Nobre da “Beneficência”, documentação exemplar da História de Portugal e do Brasil. O atual Presidente da Diretoria é o Dr. Rubens Ermírio de Moraes.

Está por documentar a participação dos emigrantes portugueses na construção do Brasil, sob variados aspectos, e certamente que um dos mais importantes terá sido o da assistência médico-hospitalar em todo o País. Essa atividade foi desenvolvida principalmente pelas Santas Casas de Misericórdia e depois ampliada por cerca de três dezenas de hospitais e outras instituições luso-brasileiras que prestam serviços médicos no Brasil.
A missão cumprida pela Real e Benemérita Associação Portuguesa de Beneficência tem sido do maior relevo na área da acompanhamento médico em São Paulo, no decurso dos últimos 150 anos, graças à união de esforços dos emigrados lusos e de milhares de brasileiros natos que assimilaram e realizaram o desafio lançado pela Rainha Dona Leonor, no ano longínquo de 1498. Aliás, a tarefa alargou-se por todos os países de idioma comum, com relevo muito especial para o Brasil.

(*) Jornalista, escritor e professor de comunicação social, o autor deste artigo foi diretor da Real e Benemérita Associação Portuguesa de Beneficência de São Paulo durante mais de 30 anos e é membro do Conselho Consultivo da entidade luso-paulista.

2 comentários:

Anônimo disse...

E lá morreu o Castro Soromenho.

Fran macfrazer disse...

Eu trabalho em um hospital que foi construído durante o tempo Português no Brasil. O hospital é muito grande e tem absolutamente todas as áreas da saúde. Eu trabalho na área de radiologia e diagnostico por imagem um dos maiores.