terça-feira, 14 de abril de 2009

PARA A HISTÓRIA DE UNHAIS-O-VELHO

Com a publicação de A Freguesia de Unhais-o-Velho (Subsídios para uma monografia), lançou Aníbal Pacheco, em 2008, o seu 4º. Livro, que de certo modo continua a caminhada iniciada no ano 2000 com Coisas a Minha Terra (a vida em Unhais-o-Velho há meio século), Regionalismo Serrano (2001) e em 2004, A Paróquia de S. Mateus (do século XVII ao século XX).

A 1ª. parte trata de “O Regionalismo da Pampilhosa da Serra” e na 2ª. é abordado e “O Concelho da Pampilhosa da Serra e a 2ª. aborda “O Regionalismo Pampilhosense”, enquanto a 3ª. insere a série de “Crônicas regionalistas” dos anos que vão de 1985 a 1994. O temas são mais vastos, mas todos se enquadram, afinal, no mesmo movimento de valorização da Pampilhosa, que deve muito do seu desenvolvimento econômico, social e cultural à iniciativa dos seus habitantes.

Fixemo-nos, por agora, na Freguesia de Unhais-o-Velho, onde nasceu Aníbal Pacheco, que em nota prévia lamenta “a escassez de documentação histórica ou de testemunhas orais”- aliás, o mesmo ocorre quantas vezes com os documentos que são esquecidos e desfeitos pelos anos. Não obstante, os habitantes tentavam relacionar-se uns com os outros – e o Estado quantas vezes limitava-se a expedir os avisos dos impostos a pagar, com pouco ou nenhum interesse pelos “povos isolados das nossas serras”, E que restava ao povo? Vivia com animação as festas tradicionais “em honra dos padroeiros dos seus templos, com a simplicidade de quem vive em comunidade onde todos se estimam”.

E mais se queixa o autor das dificuldades enfrentadas por aqueles que tentam falar do passado comunitário – quem é que duvida? A História das aldeias e vilas da Província são relegadas quase sempre a um plano secundarissimo, ainda que em circunstâncias como a vivida por Aníbal Pacheco seja bem mais importante publicar um estudo sobre a História local do que os discursos daqueles políticos que só aparecem quando pedem votos, prometendo mundos e fundos que raramente vão além das promessas.
No mesmo diapasão vai o prefaciador do livro, Padre Joel Carlos Baptista Antunes, que não se escusa de relembrar as dificuldades dos corajosos serranos, AO PROCLAMAR: “Mas do que era a vida do sentido comunitário evidenciado nas águas de adua, nos moinhos e fornos ao serviço de todos, dos lagares, da cultura e trato do linho e do centeio, do espírito de interajuda em debulhas e descamisadas, da solidariedade em situação de doença, das tradições culturais, das diversões em momentos festivos, da pastorícia que alimentava famílias e limpava as encostas altaneiras reduzindo, assim, a probabilidade dos fogos, do carvão que se fazia da raiz da moiteira, soterrada enquanto incandescente, do tabaco terreano que alimentava vícios e mobilizava os fiscais, da fé cristã que se manifestava transpondo montanhas para não faltar à missa dominical” de tudo isto e muito mais sacrifícios dos irmãos serranos fala o Padre Joel. E ninguém poderá desmenti-lo, porque os nossos montanheses da Beira-Serra (e de outras regiões lusas) têm vivido abandonados dos poderes públicos e não singram senão quando emigram dentro e fora do país natal?

É claro que Aníbal Pacheco se limita ao discurso histórico mas sabe que as nossas vidas serranas são difíceis, como eram já no passado. A sua pesquisa e as suas observações em torno da Freguesia de Unhais-da-Serra desdobram-se através de 14 capítulos e de um anexo subsidiário – o grande percurso histórico das terras pequenas onde nascemos, uma por uma (desde Unhais, passando por Aradas, Arranhadouro, Malhadas do Rei, Meãs, Portela de Unhais, Povoa da Raposeira e Seladinhas) nomes de povoações que cheiram a urze, alecrim e rosmaninho ou mato fresco da madrugada ou às maçãs, pêras, pêssegos, uvas e outros perfumes dos arbustos e árvores, flores ou rosas e aos matizes insólitos e nunca esquecidos e sempre apetecidos – enfim, a Serra! de que falou tão comovidamente o nosso Poeta das Três Entradas – quando é que teremos antologiados para a eternidade os poemas beirões de Brás Garcia Mascarenhas, D. Luis da Silveira, Simões Dias, Sanches de Frias, António Francisco Barata, Augusto Nunes Pereira,Vasco de Campos e outros, ao lado dos contemporâneos.

Concluindo, assinalaremos que Aníbal Pacheco fecha a sua História da Freguesia de Unhais-o-Velho com o manuscrito dos estatutos da Confraria do Santíssimo Sacramento, instituída na igreja de S. Mateus, em 21 de Setembro de 1709 – há trezentos anos!

Um comentário:

Anônimo disse...

Caro Dr. João Alves das Neves,
gostaria de o contactar por mail caso me faculte o seu endereço.
Com os cumprimentos de

Júlio Sequeira
jpps@netcabo.pt